MANIFESTO DO FEMINISMO ROMANI
As mulheres ciganas feministas de toda a Europa e da América reuniram-se no primeiro Congresso do Feminismo Cigano realizado em Madrid, de 17 a 18 de novembro de 2017, e organizado pela Associação de Ciganas Feministas pela Diversidade (AGFD), um grupo de ciganas ativistas comprometidas com a luta pela emancipação das mulheres e da comunidade cigana.
“Desde o primeiro Congresso Internacional Cigano, em Londres, em 1971, as Nações Unidas reconheceram a bandeira cigana, simbolizada pelo azul do céu e pelo verde dos campos, como símbolo da nossa identidade transnacional. Ao redor desta bandeira erguemos a nossa voz para reivindicar que as ciganas feministas somos construtoras da paz, sonhamos com uma sociedade intercultural baseada no respeito e na dignidade… A nossa meta é contribuir para consolidar pontes entre culturas pelas quais circulem o conhecimento mútuo, o reconhecimento da diferença e a justiça social.
Aspiramos a criar um novo mundo sem patriarcado, no qual a libertação das mulheres ciganas, negras, muçulmanas, árabes, de todos os recantos da terra, de todas as cores e religiões, e todas as identificadas com alguma raça, possam desenvolver plenamente os seus direitos como mulheres e cidadãs. Sonhamos com uma sociedade sem muralhas raciais, com um mundo de respeito e conhecimento da diversidade cultural, e unimos as nossas mãos para trabalhar juntas por uma sociedade onde nunca mais volte a existir sofrimento e dor por se ser diferente, por se ser distinta, por se ser cigana.
Manifestamos a nossa mais profunda indignação e repulsa perante a situação de racismo institucional que sofremos as ciganas e os ciganos do mundo: submetidas ao apartheid, à pobreza, à segregação, à exclusão laboral e educativa, à sub-habitação nas degradantes barracas, à opressão de uma sociedade profundamente racista e, excluidora, que nega os direitos básicos de cidadania, que atenta de forma continuada, sistemática e estrutural contra os nossos direitos civis e sociais como cidadãs espanholas e europeias.
Levantarmos a nossa voz como cidadãs contra as instituições, administrações e organizações que perpetuam um modelo racista e colonialista, de subordinação e colonização sobre os nossos corpos e identidades. Rebelamo-nos e denunciamos as redes de clientelias que amparam, sustêm e perpetuam sistemas de domínio e opressão para obter lucros da pobreza e da miséria do nosso povo. O nosso feminismo é um feminismo pela emancipação das mulheres e pela emancipação do nosso povo, em que os homens participam ativamente. Orgulhamo-nos de contar entre as nossas fileiras, ciganas feministas que partilham os nossos sonhos e desejos, que nos acompanham na luta pelos nossos direitos. A partir deste momento histórico, as mulheres ciganas feministas não mais somos invisíveis, o nosso pensamento e a nossa cosmovisão é imparável. A nossa capacidade de resistência supera com vantagem todos os mecanismos de opressão que nos subjugam. Podem-nos roubar o nosso direito à educação, a uma habitação digna, o nosso direito à justiça e a um trabalho digno, mas não nos podem roubar a nossa autoestima, o nosso valor e a nossa dignidade. Podem manipular as ciganas e os ciganos mais vulneráveis e dependentes. Podem inventar novas estratégias de contra-revolução, a partir dos círculos do poder, mas não poderão silenciar as vozes potentes, fortes, límpidas que nunca deixarão de denunciar o racismo institucional que estas práticas implicam. Agora como sempre, resistiremos. OPRE ROMNIA (para a frente mulheres ciganas!)