Union Romani – internet (20 nov)

Mas, até aonde vamos chegar?

Em Itália propõe-se que os ciganos não possam viajar nos mesmos autocarros que os “gadjé” (não ciganos)

 

Há uns anos foi Berlusconi que autorizou a política repressiva do seu ministro do interior, da Liga do Norte, que enviava para os Balcãs, que estavam em plena guerra civil, as pobres famílias ciganas que fugiam de um confronto entre os gadjé locais, por causa de disputas territoriais. Mais tarde, há quatro ou cinco anos, o mesmo ministro determinou que, para controlar melhor os ciganos, fossem tiradas as impressões digitais às crianças ciganas, para um arquivo policial.

 

Agora o presidente da câmara de Borgaro, povoação próxima de Turim, propôs o estabelecimento de autocarros separados para que os ciganos não viajem nos mesmos veículos que os não ciganos. Desta forma, ultrapassou-se até o regime de apartheid dos E.U.A. nas décadas de 1950 e 1960, quando os brancos e os negros podiam viajar nos mesmos autocarros, mas com os brancos à frente e os negros atrás. A Associazione Nazione Rom (ANR) que faz parte do Consiglio Nazionale Rom (CNR) organizou uma manifestação nacional contra esta forma de apartheid, na estação ferroviária de Santa Maria Novella, em Florença, “para denunciar a violência, o racismo e a perseguição que os ciganos sofrem” em todo o país.

A ANR entende que já foram superados todos os limites e que nem sequer o governo de Matteo Renzi respeita os acordos assinados pelo presidente da república, Giorgio Napolitano, em Bruxelas, em 5 de abril de 2011, em que os poderes públicos se comprometiam a respeitar o quadro estrutural da inclusão social dos ciganos na sociedade italiana.

Os ciganos manifestaram-se na Estação de santa Maria Novella, porque nesta estação, de facto, os ciganos estão proibidos de andar de comboio. Cinco dias antes, um rapaz cigano subiu para um comboio de Pistoia para sair em Castillo Rifredi, onde vive, mas o chefe do comboio sem sequer ver o bilhete que o rapaz tinha comprado, indiferente às lágrimas do menino, expulsou-o violentamente do comboio. Também um menino cigano foi violentamente impedido de ir aos sanitários na Estação de Florença, apesar de ser deficiente e de ter pago para entrar. Como consequência do regulamento racista e anti-cigano do Comité de Ordem Pública e Segurança de Florença, de 20 de fevereiro de 2014, está proibido o acesso dos ciganos às instalações sanitárias.

O presidente da câmara de Borgaro diz que não é racista; “trata-se de defender a legalidade e a segurança”, diz. O partido Liga do Norte propôs que também em Roma haja autocarros para os gadjés e autocarros para os ciganos.

O Presidente da Unión Romani, Juan de Dios Ramirez-Heredia, autor do artigo, conclui com votos para que a sociedade, e em particular os cristãos, se lembrem que Hitler e o nacional socialismo começaram assim e sabemos como terminaram.