Todos os que contigo se cruzaram, nas encruzilhadas da vida; nos becos sem saída, encontraram em ti, uma irmã, uma amiga, um novo horizonte, uma mão erguida.

MESTRA DE VIDA, DA INTEGRAÇÃO DO DIFERENTE: O CIGANO, O POBRE E O INDIGENTE
Todos os que contigo se cruzaram,
nas encruzilhadas da vida;
nos becos sem saída,
encontraram em ti, uma irmã, uma amiga,
um novo horizonte, uma mão erguida.
Onde quer que alguém experimentava a dor,
perdia a casa, o emprego, o amor
e experimentava o desalento de viver,
surgias qual discreto perfume, o tão humilde e silencioso
rosto claro da caridade em acção;
suavizando a dor, dando alento ao coração do pobre,
do sem abrigo, do rejeitado e sem condição.
A tua caridade desmedida,
foi a visibilidade criativa
do Amor de Deus derramado sem medida.
E à etnia cigana quiseste mostrar como Deus é e ama
ajudando-a a assumir progressivamente a leal cidadania,
a superar a mentira e a burocracia,
que algumas vezes te impedia de conduzir essa complexa caravana.
As tuas delícias da vida,
eram integrar o outro, o diferente;
promover o pobre e o indigente,
estar ao lado do desalentado, do doente e do carenciado
dos que já não suportavam a vida.
Para lhes levares a Esperança
e reconstruíres pedra, a pedra
essa “igreja” demolida.
Para todos foste mestra, mãe, irmã e amiga,
promovendo a justiça e a igualdade;
apelando ao bem, ao perdão e à verdade
com a firmeza de quem conhece o caminho
e a compaixão de quem compreende a humana fragilidade.
Por amor suportaste os sofrimentos da missão,
moveste montanhas de obstáculos,
permaneceste fiel ao teu coração.
Movida pelo carisma único que Deus te concedeu:
tudo fizeste em comunhão com a Igreja
que serviste e amaste em cada irmão,
em cada necessidade e em qualquer situação.
A tua vida foi um pregão,
que ecoará pelos tempos sem fim.
E lá na eternidade, o teu novo rosto da bondade
continuará a ser o teu contínuo sim a Deus e à humanidade.
Lisboa, 19/11/2004
Ir. Maria Júlia Teresa Vicente