Mundo Rural (jun) – PASTORAL

Os nosso irmãos ciganos ontem, hoje e amanhã, por Francisco Monteiro (FM)

FM, Diretor Executivo da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos (ONPC), começa por abordar a história deste povo ao qual “já em 1521 Gil Vicente se referia com admiração, que começou por ser bem recebido e depois foi alvo da maior série de discriminações, perseguições e exclusão que perduram até aos nosso dias”. Os ciganos são cidadãos portugueses desde 1826.

 

“O socialismo que perpassou na recente história de Portugal, por vezes genuíno, e o princípio fundamental da coesão social” na UE, são um começo assinalável da compreensão de que as populações ciganas são europeias, fazem parte do nosso tecido social”, afirma FM. Os PERs e “a introdução do Rendimento Mínimo Garantido, seguido do Rendimento Social de Inserção para famílias carenciadas, entre as quais famílias ciganas (que são uma minoria entre as beneficiárias do RSI), teve a dupla vantagem de proporcionar um meio de subsistência, por vezes uma oportunidade e a de aumentar a escolarização, sobretudo das crianças ciganas”. “Entretanto a habitação social parou, os projetos de ensino especial estão ameaçados, o RSI é atacado violentamente por políticas anti-sociais, sem humanidade e sem o mínimo sentido da responsabilidade social”.

FM sugere que os ciganos são como o caso dos países antes colonizados que só quando conquistaram a independência é que se desenvolveram, e recorda que o associativismo cigano, nascido no 1º Congresso Mundial Ciganos, perto de Londres, em 1971, essencial para assegurar a representatividade dos próprios ciganos, não tem sido apoiado, nem mesmo pela UE que agora constata que o seu financiamento não chega às bases o que “tem conduzido à virtual inoperância de muitas federações e associações ciganas”.

“Todos os países da UE têm agora as suas estratégias para a inclusão dos ciganos definidas até 2020. Em Portugal foi grande o empenhamento de todos os ministérios e departamentos do Estado envolvidos neste processo, o qual teve a colaboração da ONPC”. FM termina saudando “todas as pessoas e instituições que ao longo da história (…) souberam criar oportunidades de apoio, de educação, de formação, de emprego e de habitação” para os ciganos. Homenageia ainda todos os irmãos ciganos e ciganas “que, durante séculos e ainda hoje, souberam enfrentar tantos sofrimentos pela fidelidade a si próprios, à cultura dos seus antepassados, a cultura cigana”. O artigo termina com as palavras do hino internacional Gelem, Gelem (caminha, caminha), adoptado no 1º Congresso Cigano.

Vinde comigo, Ciganos* de todo o mundo

Porque abriram-se as estradas dos Ciganos*

Agora é o tempo, levantai-vos Ciganos* agora

Nós chegaremos alto se actuarmos

Oh Ciganos*, oh irmãos.

* a palavra utilizada é Roma pela qual os ciganos passaram designar-se a partir do 1º Congresso.