Vai a Direcção Nacional da Obra Católica dos Ciganos promover a realização do 32º Encontro Nacional da pastoral dos Ciganos em Fátima, de 18 a 20 de Novembro de 2005. O tema será “Secretariados Diocesanos da Pastoral dos Ciganos”.

NÃO BASTA FALAR
Vai a Direcção Nacional da Obra Católica dos Ciganos promover a realização do 32º Encontro Nacional da pastoral dos Ciganos em Fátima, de 18 a 20 de Novembro de 2005. O tema será “Secretariados Diocesanos da Pastoral dos Ciganos”. Falaremos demoradamente desta realidade… mas não basta falar…
Falar também é converter-se. Como é que se fala das ciganos, estando à margem, a ver passar “a banda”? Falar tem que ser dialogar e ninguém dialoga sozinho.
Para dialogar é preciso reconhecer o outro. E, se o outro é cigano, não basta reconhecer que pode estar à margem; é indispensável chegar até ele e, também, permitir que ele chegue até nós; e, mais que permitir, é indispensável facilitar a sua aproximação, derrubando obstáculos, abrindo caminhos, construindo pontes.
Para dialogar é preciso sintonizar com o outro. E se o outro é cigano, não basta reconhecer que tem valores (a família, a liberdade, a música…); é indispensável sentir e comungar esses valores. Se queremos dar atenção à música cigana, teremos que aprender a cantar cigano; se queremos dar atenção à liberdade cigana teremos de saber decifrar os códigos dessa liberdade que tem que ser integrada. Se queremos dar atenção à família, teremos que compreender o que é a família cigana que iniciar, de facto, uma relação com a família cigana, através da família cigana (sendo certo que, através do segmento /filhos, se pode esbater o acesso ao segmento /pais, para se poder abordar a reconhecida expressão étnica da família cigana alargada).
Para dialogar é preciso partilhar com o outro. E, se o outro é cigano, não basta reconhecer que é pobre e que “há, na pessoa dos pobres uma especial presença de Cristo, obrigando a Igreja a uma opção preferencial por eles (João Paulo II, Novo Millenio Ineunte, nº 49); é indispensável discernir a pobreza do cigano e, sem tomar a nuvem por Juno, dar do nosso bem, permitindo-lhe, a ele, que nos dê do seu; é compreender que o bem partilhável é mais que o peixe que se dá ou que a cana que se faculta; é também, promover um sentido de dignidade que valorizada, deve ser assumida.
Não basta observar, julgar, e falar; é preciso, também pôr-se a caminho, sentir, e comprometer-se
Pe. Amadeu Dias Ferreira