“Os ciganos são a minoria étnica mais rejeitada em Portugal”

Notícias Magazine (30 Out)
“Os ciganos são a minoria étnica mais rejeitada em Portugal”
O NM entrevista a socióloga Maria Manuela Ferreira Mendes (MM) sobre o seu livro “Nós, os Ciganos e os outros», elaborado com base no estudo das comunidades ciganas, do Bairro de S. João de Deus, no Porto, e em Espinho, no Bairro de Ponte de Anta. A entrevistada defende a necessidade de uma atitude pró-positiva em relação aos ciganos para se conseguir uma “proximidade afectiva.”. Considera que os ciganos “são pessoas muito afectivas, muito emotivas e depois até muito protectoras.” Na sua entrevista recorda ainda um pouco da história dos ciganos, principalmente no nosso país, onde estão há pelo menos quinhentos anos.
Referindo o facto de a distância entre ciganos e não ciganos ser muito profunda, MM refere que hoje as razões para esse distanciamento não são a do estereótipo do cigano nómada e ladrão, mas do cigano associado ao tráfico de droga. “Os ciganos são o grupo étnico mais rejeitado.” Abordando o tema dos valores considera que o casamento, as crianças, o respeito pelos idosos e pela família em geral são valores fundamentais para os ciganos.
Sobre a temática da escolarização como algo indissociável da integração social, MM salienta quão difícil é para os ciganos frequentar a escola: “há vinte anos, as mulheres nem sequer iam à escola”. “A escola é vista como um obstáculo e um inimigo. Inculca aprendizagens e conhecimentos que, sobretudo no caso das mulheres, podem ser mais desestruturadores do que organizadores.” E os rapazes não vão para a universidade porque se casam aos 17/18 anos e ao “assumir responsabilidades” familiares, não têm tempo para “investir” num curso superior. Sobre a questão da habitação e do facto de os ciganos na maioria viverem em barracas, refere que “ter uma casa significa uma melhor qualidade de vida, um outro estatuto social.” Como muitas vezes as divisões são pequenas, as pessoas acabam por passar muito tempo no exterior.