Clarín – Revista de Cultura (internet) (9 nov)

O anjo que denunciou o racismo europeu

Direitos Humanos. A identificação de uma menina que vivia com uma família cigana reviveu os preconceitos contra um povo estigmatizado. Quando se soube que tinha a mesma origem, o interesse mundial decaiu

 

Todo o encanto de uma menina bela e loira de sete anos, encontrada num bairro de ciganos na Grécia,correu os diários e os écrans de TV de todo o mundo, despertando uma solidariedade imediata pela criança, supostamente raptada à sua “família biológica” e um enorme repúdio para com a comunidade cigana em geral. Agora que se sabe que esta menina pertence à etnia cigana Búlgara, a indignação e o espanto cessaram. Como a menina é cigana, a sua situação já não importa tanto. Por detrás de um suposto acto de justiça, escondeu-se um acto de discriminação e racismo realizado por órgãos de comunicação social sérios que presumiram o estereótipo do cigano ladrão de crianças. Deveriam ter aguardado, porque a reacção mortal de ultradireita não se fez esperar. Há que intervir e evitar que a marginalidade se torne de cultura e volte sempre como um castigo sobre o rosto de uma etnia maltratada por ciganos e não ciganos. Há que ajudar o povo cigano a sair da marginalidade que gera o desprezo mundial.

 

Desde o século XV até ao presente, fizeram-se mais de 1000leis anticiganas em toda a Europa. Se os governos querem encarar a realidade, terão que explicar como é que aos ciganos, durante seis séculos, nunca foi oferecida uma solução verdadeira para um problema tão humano como urgente. A sociedade deve saber que a Comunidade Económica Europeia, por baixo do guarda-chuva  de um plano de inclusão das minorias, especialmente a cigana, atribuiu a todos os países membros, uma soma não reembolsável de euros, superior às reservas em dólares que hoje tem o Banco Central da Argentina, para terminar com o problema das minorias. Mais de 20% dessa soma foi investida no problema e sobre o resto do dinheiro nada se sabe.