O Dia (17 mar)

Opinião

Editorial – “Debate”

O verbete ‘cigano’ deve mudar?

Foram suprimidos verbetes das palavras ‘cigano’ e ‘negro’ do dicionário de Houaiss, por determinação recente do Ministério Público Federal do Brasil.

Neste editorial contrapõem-se duas opiniões. A primeira posição é de NÃO (devem ser suprimidos), de Darcília Marindir P. Simões (DS), Professora do Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio, que lamenta a tentativa de criar censura às palavras. “Precisamos de pessoas que tenham coragem de pronunciar-se sobre temas polémicos como este, que, em geral, são evitados para não se ganhar a antipatia dos que fingem ser zeladores dos direitos e acabam por infringir outros bem mais amplos, como o direito à língua, ao seu vocabulário e ao registro da história dos povos que se inscreve no léxico das línguas”.

A segunda opinião é a do SIM (à proibição), de Mio Vacite (MV), Presidente da União Cigana do Brasil, que afirma que os ciganos não são “um povo guerreiro, mas sim sobrevivente de várias guerras. Todo o cigano sabe como usar das palavras para conseguir o que realmente deseja”.

“Nunca se falou tanto em direitos humanos e no respeito pelas minorias”, declara MV, no entanto há questões “relegadas para o fim da lista de prioridades. Uma dessas questões é a do povo cigano”. MV escreveu em 1988 a Aurélio Buarque de Holanda que, a pedido de MV “mudou em seu Dicionário o sentido pejorativo dado à palavra “cigano”. Os danos morais e o sofrimento causado por este crime são irreparáveis e estão acima de qualquer indenização”.

MV agradece ao procurador Cléber Eustáquio Neves por mover a ação contra os editores do Dicionário Houaiss e com a do MPF em aceitar a denúncia de qualificações preconceituosas e discriminatórias a respeito de nossa etnia, pois isso atinge a democracia, a Constituição e os Direitos Humanos”.