Um mundo sem rumo

O Gaiato (25 Jun)
Correspondência de Família
Um mundo sem rumo
Lixo para matar a fome
Manuel Fernandes conta que num dia, ao abrir a tampa para colocar o lixo no contentor ficou “espantado ao ver uma criança, dos seus cinco anos, de etnia cigana, dentro do contentor do lixo e com a tampa fechada”. Após se recompor do susto inicial tentou socorrer a criança que assim que se soltou, desatou a fugir. A mesma criança voltou, daí a pouco, com mais três para petiscar “borrego assado que alguém deitou fora”. Falou-lhes dos riscos de saúde que corriam. Mas, segundo o autor, daí a pouco eram muitos, “mais velhos que chegavam para ajudar ao pitéu.” Conta ainda uma cena num hospital com uma criança cigana. E, invocando o Padre Américo, conclui: “é preciso saber falar aos ouvidos dos mais pobres; eu não sei.”