Expresso – Atual (17 mai)
Livros
O grau zero do racismo
“Homo Sacer e os Ciganos”é o título de um livro que tenta entender o ostracismo a que continuam a ser votados os ciganos. “Por toda a Europa, as comunidades ciganas são vítimas de perseguições, expulsões e desconfiança”.
A autora alemã Roswitha Scholz (RS), debruça-se sobre esta temática, recusando todos os clichés sobre ciganos, desde o cigano como mandrião ou alérgico ao trabalho até à sua idealização romântica de ser “wildand free”.
O livro centra-se sobretudo nas comunidades ciganas da Europa Central e traz informação abundante (e escandalosa) sobre medidas e decretos a que foram sujeitos os ciganos, antes, durante e no pós-nacional-socialismo. É significativo, por exemplo, que, ao contrário dos crimes cometidos contra os judeus, os crimes contra os sinti e roma fossem desvalorizados.
Os estereótipos mantiveram-se até hoje, “ganhando novo fôlego numa situação em que a precariedade da própria classe média galopa a passos largos”.
NR. A autora conclui: uma outra sociedade “só será possível através de complexas mediações e no âmbito de uma transformação mundial. Apenas no espaço de uma tal perspectiva mais aperfeiçoada, pode o estereótipo do ‘cigano’ chegar ao fim, de modo que ele possa simplesmente ser, mas não tenha de ser “assim”; primeiramente, porém, é necessário trazer à luz do dia este estereótipo, como secreto e “esquecido” fundamento-homo-sacer da Modernidade patriarcal”.