Ciganos com Catecismo próprio
O Mensageiro (Semanário de Leiria) (1 Dez)
32º Encontro Nacional da Pastoral dos Ciganos
Ciganos com Catecismo próprio
Noticia o 32º Encontro da Pastoral dos Ciganos e destaca o facto de a Igreja pretender que, cada vez mais, os ciganos sejam “os agentes da sua própria evangelização”. Nesse sentido perspectiva-se a produção de um catecismo com a linguagem dos Ciganos.
A discriminação é uma das principais dificuldades apontadas para o trabalho da Igreja. Francisco Monteiro, da ONPC, referindo-se ao facto de a maior parte dos ciganos viverem da venda ambulante frisou que a legislação neste aspecto é “obsoleta”, já que não é actualizada há mais de 20 anos o que gera muitos problemas. E acrescentou: “o Governo dorme e os ciganos não existem”.
A falta de condições de habitação que gera graves consequências na educação e no trabalho/emprego foi outro aspecto a ser tratado neste encontro. D. António Vitalino Dantas, Presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, em entrevista a O Mensageiro afirmou que “a pastoral dos ciganos é hoje uma preocupação da Igreja sob o ponto de vista evangélico e não apenas humano” e reconheceu que a Igreja não tem sabido “integrar os ciganos, encontrando neles interlocutores para serem, eles próprios, integradores e evangelizadores.” Neste Encontro acentuou-se a importância de se continuar o desenvolvimento social da etnia cigana, que começa pela sua inclusão e pela solução das suas graves carências, educando e formando as populações ciganas jovens. “A Santa Sé prepara-se para emitir um documento sobre a pastoral dos ciganos.”
O P. Albino Carreira, assistente espiritual do Secretariado Diocesano da Pastoral dos Ciganos da diocese de Leiria-Fátima, testemunhou os seus 36 anos de trabalho junto da comunidade cigana na sua diocese frisando que “o nosso trabalho é «estar com…», estar com eles e partilhar a nossa amizade, tentando ajudar na resolução dos problemas sociais de que sofrem”. Apesar das muitas acções já desenvolvidas pelo reduzido número de voluntários diocesanos, maiores são os projectos para o futuro: “continuar as visitas às famílias, comemoração do Dia do Povo Cigano com um encontro de confraternização e uma pequena palestra que motive este povo a associar o seu esforço ao nosso, de modo a alcançarmos a sua integração plena na sociedade e com baptismos de crianças”.