Expresso (28 mar)
“O objetivo era exterminá-los”
Propostas para integrar comunidade cigana dividem-se entre aliança diplomática internacional e atribuição e subsídios
José Gabriel Pereira Bastos (PB), antropólogo, professor da Universidade de Lisboa, e um dos maiores estudiosos da etnia cigana em Portugal, para explicar a forma como os ciganos são vistos pela sociedade contemporânea, recua mil anos na história e diz que a entrada dos ciganos na Europa se deveu ao “sequestro de cerca de 55 mil pessoas da Índia, obrigadas a movimentarem-se em direção à Pérsia”. Segundo PB, em 1526, D. João III proíbe mesmo a entrada de ciganos no reino. Destruíram-lhes a organização com o objectivo de os exterminar”. PB diz ainda que a história mostra que os ciganos foram forçados ao nomadismo, o que continua a acontecer”. PB recomenda a discriminação positiva, como Gandhi fez para cem milhões de párias na Índia; e recomenda “um programa integrado de ação, que está muito longe de ser pensado, quanto mais levado à prática”. Susana Antunes do Alto-Comissarido para as Migrações admite que “não existe informação quanto aos portugueses ciganos nómadas”. “Segundo o último levantamento feito pela Câmara de Évora “até 17 deste março, encontravam-se no concelho 11 famílias nómadas, num total de 53 pessoas, sobre as quais não há registo de “quaisquer desacatos ou queixas associadas ao seu comportamento”.
PG diz sobre a família de MH – os Silva Cabeças – que “as crianças são muito abertas aos adultos de outras culturas”. E fica emocionado quando fala da mãe de Luís e Joni (MH): ‘Quis mostrá-la como uma deusa, dar-lhe toda a dignidade que tem’”.