Media Statement – do Gabinete do Alto Comissário para os Direitos Humanos da ONU (internet – 30 out)

Os Roma na Europa: culpados até que se prove que estão inocentes?

Estigmatização das comunidades Roma como criminosas é perturbante e perigosa, avisa Rita Izsák, especialista independente da ONU em minorias

 

No caso da menina loira, chamada Maria, que foi encontrada a viver num acampamento cigano, na Grécia, e que motivou uma onda de reportagens anti-Roma, foram emitidas acusações enganadoras sobre como Maria foi roubada e abusada, mesmo antes de poder ter sido conduzida uma investigação meticulosa. As reportagens sugerem agora que, na sequência de testes ADN, Maria é filha de pais ciganos búlgaros que afirmam ter deixado voluntariamente a menina com a família cigana grega porque não tinham condições para cuidar de Maria. O casal cigano grego permanece em custódia devido a acusações de sequestro. “As recentes atividades de algumas autoridades nacionais, no sentido de remover crianças sem aparência cigana, de famílias ciganas, com base no seu alegado rapto, levou a uma cobertura sensacionalista por parte da comunicação social, a qual tem sido perturbadora e pode resultar numa revolta perigosa contra indivíduos e comunidades ciganas”.

 

Há demasiada gente a acreditar em estereótipos de que todos os ciganos são criminosos por natureza. Se os indivíduos Roma forem considerados culpados de um crime, esse vai ser o crime desses indivíduos e não de toda a população cigana.

“Esta recente cobertura ameaça provocar uma reacção ainda mais tumultuosa contra as comunidades ciganas acusadas de raptar crianças e que já estão a ser sujeitas a ódios.” Em vários países, famílias desesperadas com casos de crianças desaparecidas estão a pedir à polícia para investigar acampamentos de ciganos, para encontrar os seus filhos. Algumas famílias ciganas vêem os seus próprios filhos ser levados com base em noções simplistas fundamentadas na cor dos olhos e do cabelo de um cidadão cigano. Atividades inapropriadas e tendenciosas conduzidas por algumas entidades devem cessar. O recente incidente na Irlanda, onde duas crianças loiras ciganas foram levadas dos seus pais e entregues apensas após testes ao ADN terem comprovado que eram de facto seus filhos, é ilustrativa. Durante gerações, crianças ciganas têm sido levadas das suas famílias, devido à pobreza dos pais, na assunção de que não conseguem cuidar das suas crianças. Muitas crianças ciganas desaparecem ou sujeitam-se ao risco do tráfico ou de prostituição.

“A educação discriminatória para com os ciganos, a esterilização forçada das mulheres ciganas e o assassinato de indivíduos ciganos resultantes de ataques alimentados pelo ódio, são apensas algumas das várias tragédias que os ciganos enfrentam e que raramente têm merecido cobertura mediática”.

A autora solicita a todos os meios de comunicação e comentadores, nomeadamente figuras políticas e dirigentes de partidos políticos, que contenham e se abstenham de generalizações perigosas relativamente à suposta criminalidade perpetrada pelos ciganos”; esta cobertura irresponsável e baseada no ódio,irá apenas “fomentar ainda mais a estigmatização e até mesmo a violência contra indivíduos e comunidades ciganas. Exorto os jornalistas a que relatem estes assuntos de forma responsável”. “Neste momento de crise económica e de desilusão, a última coisa de que necessitamos é de promover como bode expiatório aqueles que já são marginalizados”.