Algumas crianças, receberam pela primeira vez uma prenda e viram o Pai Natal “ao vivo”. A alegria e efusão tomaram conta da escola.
Algumas crianças, receberam pela primeira vez uma prenda e viram o Pai Natal “ao vivo”. A alegria e efusão tomaram conta da escola.
Muitas crianças de etnia cigana viram, na noite do passado dia 13, pela primeira vez o Pai Natal. Foi na Escola EB/1 dos Formarigos, em Bragança, que a magia aconteceu para 56 crianças, maioritariamente residentes no acampamento junto daquela escola. O Pai Natal chegou de forma ruidosa numa carrinha pick-up e foi a alegria geral entre a pequenada. Nem o intenso frio amainou a alegria e vivacidade dos mais pequenos que queriam ver de perto o Pai Natal e as prendas. Este foi o ponto alto de uma festa especialmente dedicada às crianças que estudam naquela escola e alargada a todos os familiares. Desde os maiores aos mais pequenos, todas as crianças sem excepção, foram contempladas com uma prenda. A organização esteve a cargo do Agrupamento de Escola Paulo Quintela, ao qual pertence esta escola, Pastoral dos Ciganos de Bragança e alunos do curso de Educação Social da Escola Superior de Educação (ESE). Segundo a coordenadora da Pastoral, Fátima Castanheira, esta festa repete-se há já vários anos e assegura que é sempre vivida intensamente por toda a comunidade local e escolar. “Todos colaboramos e tentamos fazer o melhor por estas crianças”. A angariação das prendas foi feita pelas voluntárias e estagiárias da ESE, através de peditórios em alguns bairros da cidade. A campanha pedia especialmente a entrega de peças de vestuário, material escolar e brinquedos. Apesar de nenhuma criança ter ficado sem a respectiva prenda, Fátima Castanheira explica que nem sempre é fácil conseguir todo o material desejado. “Nem todas as pessoas reagem muito bem quando sabem que o pedido reverte a favor de crianças de etnia cigana”, disse, acrescentando que “ainda há muita discriminação social”. A responsável comenta que este trabalho junto da comunidade cigana nem sempre é fácil devido aos condicionalismos financeiros da Pastoral e do preconceito social, mas assegura que é muito gratificante. “Todo o bem que lhes fazemos, por pouco que seja, é sempre retribuído em atenção e carinho das crianças”, comenta. Daniela Santos, aluna do 3º ano de Educação Social e voluntária no centro de actividades livres (ATL) refere que o trabalho com as crianças de etnia cigana superou todas as expectativas. “Tinha uma ideia diferente da realidade, afinal são crianças normais que precisam apenas de mais atenção”. A voluntária diz que a preparação desta festa de Natal requereu muito esforço de toda a organização mas perante a alegria da pequenada, garante, “valeu muito pena”. Durante a noite, houve ainda recitais de poemas e cantos alusivos à quadra natalícia. Como não podia deixar de ser, as danças típicas também aqueceram a noite que culminou com um lanche para todos.
Eugénia Pires