Público (23 out.)

Pesadelo no Kosovo

Regressos polémicos

 

 

Depois da guerra no Kosovo, os albaneses acusaram os ciganos de terem colaborado com os sérvios e foram implacáveis queimandoas suas casas e perseguindo-os. A diáspora cigana kosovar espalhou-se por toda a Europa – 80% fugiu por causa da suspeita lançada sobre a comunidade.

Welle Piere Péan, autor do livro “Kosovo: Une guerre juste pour créer un État mafieux”, afirma desconhecer que tivesse existido qualquer colaboração desse tipo e que isso “foi uma invenção dos kosovares”. O resultado foi que em 1998/1999 os ciganos eram mais de 15 mil e que agora serão cerca de 50 mil, contando já com os regressos forçados através de programas assinados pelo governo do Kosovo com vários países europeus, como a Alemanha, a Suécia, a Suíça ou a França, para repatriar imigrantes em situação ilegal. Isto acontece apesar de a Amnistia Internacional e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados terem afirmado que estas pessoas deveriam ser alvo de protecção internacional duradoura. Em casos como o da família Dibrani ‘repatriar’ é um termo pouco exato; chegam ao Kosovo famílias inteiras que já nada têm a ver com aquele território, em que os jovens, tal como Leonarda, não podem prosseguir os estudos porque não falam nenhuma das línguas que ali se usam. No Kosovo, o mais jovem país europeu, cuja independência foi proclamada em 2008, a taxa de desemprego ronda os 50%; entre a população cigana ronda os 90%.