Tráfico de droga resiste nos escombros do S. João de Deus

Público (16 Out)
Tráfico de droga resiste nos escombros do S. João de Deus
O Bairro S. João de Deus, fica na zona oriental do Porto. “Em Fevereiro de 2003, teve início uma mega-intervenção urbana destinada a transformá-lo.” Foram realojadas 273 famílias e despejadas 71.
“Enquanto houver casas vazias, vamos ocupando as casas. Quando demolirem os blocos todos, fica um exército de ciganos na rua”, ameaçou José Maria Fernandes, presidente da associação Viquingues, ao ser despejado por alegado uso de habitação para actividade ilícita. Também Manuel Fernandes foi despejado por falta de título de legitimação de ocupação; vive ali há 36 anos, diz que a Luta Contra a Pobreza lhe deu casa, e que Rui Rio (Presidente da Câmara) o tirou de lá. E acrescenta: “A gente só está aqui para não dormir ao relento. Isto nem tem água. Não se pode tomar banho!” A humidade apoderou-se dos tectos e tudo cheira a mofo. Mesmo em frente ao bloco escorrem odorentos esgotos a céu aberto. Manuel fez como os ressacados, encontrou um buraco e enfiou-se nele. Está a contestar a acção de despejo em tribunal, como dezenas de outras famílias, quase todas de etnia cigana. “Não tenho alvará, porque houve um incêndio na casa de um vizinho e os bombeiros encheram a minha casa de água”.