A história do povo Romani contada pela genética populacional
Público (21 Nov)
A história do povo Romani contada pela genética populacional
Apresenta uma entrevista feita a Francesc Clafell, investigador espanhol e Professor da Universidade catalã Pompeu Fabra. Este cientista tem-se dedicado ao estudo do universo genético das pessoas de etnia cigana na Europa, onde vivem entre 8 e 10 milhões de roma (ciganos). Parte desta população é conhecida pelo nomadismo e pela endogamia. Para Francesc Clafell os ciganos Romani possuem mutações genéticas que, de forma esporádica podem causar doenças incapacitantes, desordens que alcançam taxas de incidência de 5 a 15 por cento, as quais são problemas de saúde pública. O autor defende que “estes dados científicos sejam utilizados para ajudar as famílias romani, não só no diagnóstico dos problemas, mas também no planeamento familiar”.
Segundo Francesc Clafell a origem comum e a endogamia levaram a que este povo preservasse as suas características genéticas. Os seus problemas de saúde relacionados com a sua genética específica são problemas neuromusculares, como a doença LOM, em que as pessoas podem perder a mobilidade e ir parar a uma cadeira de rodas. Todavia, nem tudo é negativo, já que doenças como a fibrose cística e a fenilcetanúria muito raramente são encontradas nas populações ciganas.
Defende que quando as pessoas desta etnia são alvo de algum estudo ou investigação devem ser informadas, devendo o mesmo ser realizado só após o seu consentimento. Depois de os resultados serem conhecidos estas pessoas devem ter acesso aos mesmos, os quais deverão ser explicados, algo que reconhece ser difícil porque as culturas são diferentes. Reconhece que apesar de já se ter avançado alguma coisa no conhecimento das doenças genéticas que afligem os Romani, “pouco tem sido feito na parte terapêutica”.
Na Europa, as mulheres viajaram mais do que os homens
Francesc Clafell afirma que actualmente se sabe que todos os ciganos têm origem na Índia, “apesar de constituírem várias comunidades distintas, que se misturam de forma independente e que incorporaram quantidades distintas de indivíduos não-ciganos”. Este conhecimento da sua origem é confirmado pela linguística. A genética populacional permite também redescobrir a sua história: para a comunidade romani é mais fácil aceitar mulheres não-ciganas do que homens não-ciganos; as mulheres mudam mais facilmente de lugar do que os homens devido ao facto de ao casarem serem elas a abandonar as suas famílias.