Ciganos, os grandes esquecidos

Público (23 Set)
Ciganos, os grandes esquecidos
Noticia a inauguração da exposição de Paulo Nozolino, na Galeria Quadrado Azul, no Porto, depois de a mesma ter sido recentemente mostrada na Córsega, onde gerou polémica, tendo-se as autoridades retirado da vernissage. O conhecido fotógrafo realizou as suas fotografias no Campo de Ciganos de Erbajolu, em Bastia, onde habitam há 30 anos três dezenas de famílias; são essas fotografias que constituem a exposição Scalati (atolados, em corso).
“Escolho sempre situações desfavoráveis para desenvolver os meus projectos; é uma forma de contactar com a realidade na sua dimensão mais extrema”, salienta o vencedor do Prémio Nacional de Fotografia. Nozolino refere o facto de o lugar onde vive aquela comunidade cigana lhes ter sido dado pelo autarquia de Bastia com carácter provisório, só que essa situação dura até hoje. Segundo o fotógrafo, a autarquia pretende agora desalojar aqueles habitantes. E acrescenta: “Não existe diálogo entre as partes”. Nozolino conclui que no fundo os ciganos “pedem apenas que os deixem dormir nas roulottes, pois não se sentem bem no interior de um apartamento; ao acordarem, têm de sentir o barulho do chão a mexer-se”.
A exposição Scalati termina com a imagem de um monte de entulho: “Ali vive-se da recolha de desperdícios e de carros usados que são recuperados e vendidos.” Estas imagens servem, na perspectiva de Nozolino, para que as pessoas tomem contacto com um lugar aonde ninguém vai, a não ser a polícia. É um bairro maldito. E termina: Os ciganos continuam a ser os grandes esquecidos”.