O destino dos ciganos, por George Soros (GS)


Público (25 Ago)
O destino dos ciganos, por George Soros (GS)
A Europa não de pode dar ao luxo de mais uma geração perdida. È uma questão de direitos humanos e de valores básicos
“Os ciganos têm sido perseguidos na Europa ao longo dos séculos. Agora enfrentam um tipo de discriminação a que não se assistia na Europa desde a 2ª Guerra Mundial: a expulsão de várias democracias europeias de grupos de homens, mulheres e crianças, alegando-se que constituem uma ameaça à ordem pública. [Veja-se a alusão feita pela Comissária Reding – NR] A França começou “a expulsar todos os ciganos não franceses, implicando-os como grupo, em actividades criminais, sem qualquer processo legal que determine se cometeram qualquer crime ou constituem alguma ameaça à ordem pública”. GS assemelha esta acção da França à tentativa de expulsão dos “nómadas” em Itália, em 2008. “A expulsão de cidadãos da UE com base na etnia como justificação para actividade criminal, é uma violação das directivas da UE sobre discriminação racial e sobre o direito à livre circulação dos indivíduos entre Estados-membros”.
“O Governo francês tem razão em exigir medidas para criar postos de trabalho e desenvolver oportunidades para os ciganos nos seus países de origem (sobretudo Bulgária e Roménia, neste caso), o que reduziria os incentivos e a pressão para irem para outros países”, defende GS. Os programas da Fundação Soros demostram que os ciganos querem e podem ser integrados se lhes derem essa oportunidade.
“A maior parte dos ciganos possui as mesmas aspirações que a população maioritária”. “A razão porque continuam a emigrar prende-se com a terrível discriminação e miséria que enfrentam nos seus países”.
Embora os Estados-membros tenham a principal responsabilidade de promover programas a nível local e nacional que favoreçam a integração desta etnia, “a UE tem um papel vital na motivação, coordenação, apoios financeiros e fiscalização desses esforços através de um plano ao nível europeu.” Recordando os passos que a Comissão Europeia deu no sentido de ajudar na habitação dos ciganos, GS apela a que sejam também dados passos para favorecer também a integração dos ciganos na educação, na saúde e no emprego.
A iniciativa Europa 2020 da Comissão, define meios para aumentar as taxas de conclusão dos estudos e de emprego para todos os cidadãos da UE. Os ciganos deviam integrar o plano Europa 2020. A principal diferença entre os ciganos e as populações maioritárias não é cultural nem de estilo de vida, “mas a miséria e a desigualdade”. “A segregação escolar é um obstáculo à integração e dá origem a preconceitos e insucessos”. GS recorda ainda que “as condições precárias em que vivem tantos milhões de ciganos no século XXI tornam ridículos os valores da Europa e mancham a consciência europeia”.
GS afirma que o problema dos ciganos não é apenas um problema de segurança a curto prazo e que o obrigar as pessoas a irem de um Estado-membro para outro “só deteriora os valores e os princípios legais europeus”. Os ciganos são o segmento mais jovem da Europa e com mais rápido crescimento demográfico da população. Em 2020 serão um terço dos novos candidatos ao mercado de trabalho da Hungria.