LOCAL – Beja – Comunidade cigana de novo envolvida em situação de tensão
Pais e direcções estão contra a distribuição de mais 78 crianças ciganas por três escolas (Carlos Dias)


Público ( 30 Jun)
LOCAL – Beja – Comunidade cigana de novo envolvida em situação de tensão
Pais e direcções estão contra a distribuição de mais 78 crianças ciganas por três escolas (Carlos Dias)
Pais e professores afirmam que as escolas já estão superlotadas. A decisão foi tomada pela Direcção Regional de Educação e a directora do Agrupamento de Santa Maria já se demitiu
Cerca de três dezenas de pais e encarregados de educação juntaram-se frente à Biblioteca Municipal de Beja para protestar contra o facto de o director Regional de Educação do Alentejo, José Verdasca, ter decidido colocar mais 64 crianças da comunidade cigana no agrupamento de escolas do ensino básico de Santa Maria. A directora do estabelecimento demitiu-se por não concordar com a decisão.
78 alunos do Bairro das Pedreiras, Beja, que tinham sido mantidos até ao fim deste ano lectivo numa escola provisória instalada no Regimento de Infantaria de Beja, depois da transferência das crianças não ciganas ter sido concluída em Abril; o Director Regional resolveu mandar 64 para o Agrupamento de Santa Maria e sete para cada um dos outros dois, Santiago Maior e Mário Beirão.
Margarida Figueira (MF), representante dos encarregados de educação no conselho geral do Agrupamento de Santa Maria, garantiu ao PÚBLICO que tanto os pais como os professores “não estão contra as crianças ciganas”. O problema é que o estabelecimento, com cerca de 1100 alunos, “está superlotado”, tendo já 75 crianças acima da sua lotação máxima. Este agrupamento já recebe 140 alunos do degradado Bairro da Esperança, grande parte deles ciganos, e mais 42 outros, também ciganos, residentes noutros locais.
A directora do Agrupamento de Santa Maria apresentou a sua demissão em protesto contra a posição da DREA. A discordância em relação a esta medida estende-se também à direcção dos outros dois agrupamentos.
O PÚBLICO tentou ouvir o Director Regional sobre estas questões, mas não obteve resposta. O vereador da Educação da Câmara de Beja, José Velez, afirmou, por seu lado, que a autarquia “não opina sobre diferendos existentes ou não, trabalha para a resolução de problemas a bem da comunidade escolar”.