Tiros no Bairro Portugal Novo expõem degradação dentro de Lisboa
Público (9 Mar)
Tiros no Bairro Portugal Novo expõem degradação dentro de Lisboa
Na origem dos conflitos estará a disputa de uma casa. Muitos moradores dizem que os problemas entre ciganos e africanos não são de agora. O próprio Presidente da Junta de Freguesia do Alto do Pina, Fernando Braancamp, classifica o local como “um barril de pólvora, uma segunda edição da Quinta da Fonte.”
O Bairro do Portugal Novo foi construído há três décadas por uma cooperativa em terrenos camários. Mas esta cooperativa faliu e deixou os habitantes a morar em prédios cheios de deficiências de construção que o tempo foi agravando. Quase todos deixaram de pagar as prestações ao antigo Fundo de Fomento da Habitação, tendo muitos deles acabado por vender as casas – que ainda não eram suas – a baixo preço a famílias de diferentes etnias. “Noutros casos os apartamentos terão sido ocupados de forma selvagem.”
Virgínia Estorninho, que na década de 1990, foi presidente da Junta de Freguesia do Alto do Pina, afirma que aquele Bairro “é um cancro e só tem uma solução: a demolição. Não se sabe quem é o dono daquilo, quem ali manda.” Fernando Braancamp refere ainda que “as entidades competentes demitiram-se das suas funções e aquilo ficou sem rei nem roque”. Também vários moradores se queixam de que a polícia pouco faz.