Público – internet (7 dez) – DIVERSOS

PS discute se aceita ou rejeita 200 militantes de etnia cigana

Direção do partido só vai tomar uma posição depois das distritais de Aveiro e Coimbra se pronunciarem

Margarida Gomes

Em finais de outubro mais de duas centenas de pessoas de etnia cigana, ligadas à Associação Social, Recreativa e Cultural Cigana de Águeda (ASRCCA), no distrito de Aveiro, decidiram inscrever-se no PS. Reuniram toda a documentação necessária para serem aceites como militantes do PS, “mas ainda não conseguiram porque na sede nacional foram apontadas falhas ao processo, relacionadas com a secção do partido escolhida pelos candidatos a militantes.

 

A apoiar esta filiação está um grupo de militantes que tem mantido contactos com a ASRCCA. A primeira abordagem passou por sensibilizar a associação a fazer parte do programa Portugal 2020 para os seus elementos, uma vez que muitos deles têm baixos níveis de escolaridade”. E as salas onde antes se treinava boxe, foram transformadas em espaços de estudo e aprendizagem. O passo seguinte foi sensibilizá-los para se inscreverem num partido. A dirigente nacional do PS, Cristina Martins, “tem sido uma das interlocutoras do processo e desafiou o presidente do ARSCCA a filiar-se no partido, no qual, acredita, ‘a comunidade cigana acabará por ter voz’”.

 

“‘Questionei as pessoas no sentido de perceber se eram recetivas à ideia de ingressarem num partido político e elas mostraram-se recetivas’, conta a professora de matemática. Os partidos não são empresas privadas, têm de ter espaço para as minorias e a comunidade cigana faz parte dessas minorias” defende a docente que foi eleita no último congresso do PS para a Comissão Nacional, na lista alternativa de Daniel Adrião.

As mais de 200 fichas de pessoas ligadas à ASRCCA foram entregues em mão na sede do PS, em Lisboa. O processo foi acompanhado pelo coordenador da secção temática de Defesa, Segurança e Soberania do PS, Jorge Napoleão (JN), que entende que qualquer pessoa que queira ser militante do PS pode inscrever-se em qualquer secção, seja de residência, seja sectorial, como é o caso da secção temática Defesa, Segurança e Soberania.” JN “estranha que a direção nacional esteja a levantar reservas a estas inscrições. ‘Os partidos têm que ser inclusivos’, diz.

Outra fonte socialista reforça esta tese, precisando que a ‘única altura em que as pessoas têm que escolher (em que secção querem ficar: se na de residência, se na temática) é na fase elaboração dos cadernos eleitorais para que os seus nomes não constem em dois cadernos.’ ‘Nunca vi o partido levantar nenhum impedimento pelo facto de as pessoas entrarem no PS através de secções temáticas, independentemente do seu local de residência’”.

Já o responsável pelo gabinete de organização e dados do PS, João Pires, afirma “que que os estatutos não permitem que os candidatos se filiem através de secções temáticas, porque não têm autonomia para o fazer. Por essa razão, revela, os processos foram todos remetidos para as estruturas locais de Aveiro e de Coimbra (de onde são oriundos os proponentes), que farão uma primeira análise da situação. Feita essa avaliação, os processos regressam à sede nacional para decisão final”.