“As Escolas têm de ter paredes transparentes”
Região de Cister (2 de Dez)
“As Escolas têm de ter paredes transparentes”
Este Jornal de Alcobaça entrevista a professora Eva Gonçalves (EG) sobre a sua “luta pela igualdade na Escola Básica do 1º Ciclo de Alcobaça. “Conseguimos” diz a directora desta Escola que “em breve fará parte da Direcção da ONPC”. EG define-se como “uma pessoa activa, que não sabe viver sem desafios”. Interrogada sobre “uma das suas batalhas: ‘construir’ uma escola onde meninos de todas as raças dessem as mãos”, afirma que desde que foi para a Escola Primária de Alcobaça rapidamente se apercebeu que as crianças ciganas “necessitavam de mais atenção” e que “tinha de actuar na família”. “As mães ciganas são muito ciosas dos seus filhos (…), dão a vida pelos seus filhos e isso fascinou-me.” Começou por criar condições na escola que facilitassem a higiene destes meninos e por dar apoio fora das horas lectivas. Em relação ao ter sentido ou não resistências à sua acção inclusiva “das crianças”, salienta que “tudo o que é desconhecido traz dificuldades”, mas acrescenta que “os pais e Alcobaça só tiveram a ganhar com isso, porque os meninos ciganos deixaram de pedir na rua”. Uma das lições que trouxe das escolas que visitou no estrangeiro, nomeadamente na Suécia, foi a de que “a escola serve a comunidade e há um respeito imenso por ela. Penso que também atingimos esses objectivos.”
Questionada sobre a sua ligação à ONPC, EG afirma que está particularmente ligada “à parte social, nomeadamente o realojamento, venda ambulante e contacto com as autarquias”. Sobre o realojamento sublinha que a melhor forma não é ser ‘em bloco’, mas é aquilo que é possível em Alcobaça; salienta que “tem que ser feito com todas as cautelas.” Sobre o seu trabalho na Escola de Alcobaça diz que “as crianças (ciganas) deixaram de faltar à escola, deixaram de roubar na cidade.” “Digo com frequência aos professores: a escola é vida, a escola é festa!… As escolas têm que ter paredes transparentes, temos que deixar entrar a luz do sol e deixar sair o trabalho realizado no seu interior. A escola de Alcobaça cresceu assim.”
Acerca do artigo do professor Gaspar Vaz (ver a seguir) que a descreve como “senhora de convicções bem definidas”, refere que a sua “sensibilidade de mulher, cidadã e de alcobalense (…) não podia ficar indiferente ao ver crianças com tudo e outras sem nada, na mesma sala de aula. Aí fui determinada mas também senti que não impus nada a ninguém. E estes projectos são para ser vividos por todos e não podem ser impostos. Tenho a certeza que a comunidade educativa esteve sempre presente. Saí daqui com o meu coração muito grande e feliz.” Em relação ao futuro afirma a sua disponibilidade para colaborar na Direcção da ONPC e noutros assuntos.