TESE DE DOUTORAMENTO DE ALEXANDRA CASTRO

“Na luta pelos bons lugares – Ciganos, visibilidade social e controvérsias espaciais” é o título da tese de doutoramento de Alexandra Castro (AC), no Departamento de Antropologia – especialidade de Antropologia Urbana,  do ISCTE em Julho.

 

Na última das conclusões, quando aborda as “Políticas sociais de regulação da pobreza: do discurso sobre a diferença à manifestação de políticas discriminatórias”, AC salienta que “quando se trata do acesso ao benefício das políticas públicas “ser cigano” é uma das categorias mobilizadas que remete para uma espécie de bloqueio cultural que etniciza a exclusão social pelo simples facto de se viver “por opção” em barracas. Esta leitura etnicizante da cultura dos pobres incide, pois, na assunção de que a responsabilidade dos problemas está no indivíduos, aumentando o descrédito da sua possível integração e relegando-se para um plano secundário o papel que o tipo de recursos e de políticas sociais podem ter na produção das situações de exclusão social. … Se a culpa está tendencialmente nos pobres, ou seja, se a estratificação com base em desigualdades estruturais é inexistente ou relegada para um segundo plano, então, as respostas dificilmente se distanciam da hostilidade ou da designação dos ciganos pobres como “resistentes à mudança” e como “não se querendo integrar”, ou seja, desenvolve-se um discurso culturalista como forma de não se conseguir falar de cidadania plena.”

 

Como principais características deste tipo de processos a nível local, AC define três: (i) práticas sociais marcadas pelo anti-ciganismo; (ii) práticas profissionais ligadas à intervenção social e (iii) práticas institucionais marcadas pelo fechamento sobre si próprias.