Union Romani (online – 31 mai) – DISCRIMINAÇÃO

Situação dramática dos ciganos em Itália

Juan de Dios Ramírez-Heredia (JRH), Vicepresidente de Unión Romani Internacional (UR) afirma que a perseguição aos ciganos em Itália está a atingir níveis de uma gravidade invulgar muito preocupantes, comparando mesmo o que se está a passar com o que aconteceu nos anos 30 do século passado na Alemanha. Recorda que em 1940, Hitler, mandou exterminar todos os ciganos da Europa. Estas coisas prepararam-se lentamente nos cidadãos “alimentados por falsas informações sobre a perigosidade de algumas minorias”. E recorda que na década de 1920, os ciganos eram proibidos de frequentar lugares comuns, como parques, feiras ou banhos públicos. Quando Hitler chegou ao poder, no ano seguinte, em 1934, começaram as campanhas de esterilização castrando os homens. E em 1935 foi promulgada a “Lei para a Proteção do Sangue e da Honra”, tristemente conhecida como as Leis de Nuremberg. “Em 1945, após a derrota do regime nazi, 3/4 da população cigana residente na Alemanha tinha sido assassinada”.

 

Referindo o que se está a passar em Itália, JRH refere que recentemente 450 pessoas foram despejadas à força de um acampamento em Giugliano (Nápoles), onde 73 famílias passaram a viver na rua. De Roma, Carlotta, uma colaboradora da União Romani, escreve a dizer que essas famílias não têm alternativa para viver ou onde se refugiar, porque a polícia sequestrou-lhes inclusivamente os seus carros, onde se tinham refugiado. O grau de alarme e perseguição é tão dramático que as autoridades de uma cidade perto de Giugliano emitiram um aviso alertando os vizinhos para ficarem atentos porque um grupo muito grande de ciganos deambula pelo campo sem saber onde se instalar.

 

O mais grave nesta questão é que se trata de famílias ciganas de origem bósnia, instaladas em Itália há mais de 30 anos. A Associação “21 de julho” denunciou que estas famílias estão a dormir ao ar livre e, consequentemente, sem eletricidade, água potável, nem sanitários. Há muitas crianças de zero aos seis anos que precisam de leite e fraldas para os bebés. Neste grupo há uma dúzia de mulheres grávidas e um grande grupo de mulheres idosas.

A polícia apareceu em Giugliano e disse às famílias ciganas que “tinham que deixar o território do município o mais cedo possível ou então viriam com os buldózeres e com a força armada para os obrigar a sair.” Perante a pergunta dos habitantes sobre para onde é que iriam, a polícia respondeu que para onde quisessem, desde que fosse fora do território do município. Alguns destes ciganos são cidadãos italianos e têm passaporte. Um deles diz: “nasci e cresci aqui e tenho 20 anos”. Outro morador testemunha que: “Eu vim para a Itália depois da guerra da Bósnia e estou aqui há mais de 30 anos. Todos os jovens nasceram aqui e são, portanto, italianos, mas italianos sem direitos reais”.

A Região de Campania deu ao presidente da Câmara, a quantia de 915,418.29 euros para atender às necessidades mais urgentes da população de Giugliano. Que se saiba, apenas foram gastos 200.000 euros. “Do restante montante recebido, 715,418.29 euros, não se sabe o seu destino.” A “Associazione Nazione Rom” já informou a Presidência do Conselho de Ministros, o Presidente da República, a Prefeitura de Nápoles e as autoridades regionais e locais. Estando o Parlamento Europeu suspenso, a UR pediu à Comissão Europeia para intervir de imediato na solução da falta de defesa de que sofre uma parte dos ciganos e ciganas em Itália.

Entre os 450 desalojados do acampamento Giugliano, existem 105 crianças ciganas que frequentavam a escola obrigatória; também elas foram desalojados da escola interrompendo assim a sua educação elementar!