Partir muros


Visão (26 Mar)
Partir muros
Turmas só com alunos ciganos nem sempre são polémicas – é o que acontece quando se procura integração
O artigo começa com a Escola Básica nº 1 da Granja, em Vialonga (Vila Franca de Xira), onde alunos de 9 a 11 anos só no ano passado vieram para a Escola. Segundo a Presidente do Conselho Executivo, Armandina Soares, estes alunos foram agrupados numa só sala e a experiência está a correr bem: “faltam muito menos”. A Professora vem todos os dias do Entroncamento porque, segundo a Presidente do Executivo, “isto não se faz com gente que não queira estar aqui”. E acrescenta: “estamos a partir o muro do isolamento em que vivem”.
O artigo refere ainda o caso de Barqueiros, Barcelos, onde as crianças ciganas foram juntas numa turma. Maria do Rosário Carneiro, ao apresentar um Relatório no Parlamento, alertou para o facto de que “não é prudente fazer juízos generalistas, são vários os caminhos para a integração”.
Na EB 1 Quinta do Simão, em Aveiro, que é frequentada sobretudo por crianças ciganas, a Presidente do Conselho Executivo, Elsa Jorge, refere que a única discriminação revela-se na ausência de condições e apoios, tais como psicólogos e assistentes sociais. A Professora Manuela Bártolo diz que o sucesso nesta escola se deve à luta para que os miúdos percebam que, ali, todos são iguais. “Estão sempre a testar-nos: ‘Ah, a professora diz isso porque sou cigano’. ‘Não, digo isto porque és meu aluno e quero que aprendas’.”
Na Escola EB 2, 3 de Vialonga, que desde de 1996 é Território Educativo de Intervenção Prioritária, onde existiam 15 adolescentes entre os 13 e os 17 anos analfabetos, – “não havia outra solução que não fosse juntá-los numa só sala”. E Armandina Soares refere que desde que iniciaram este projecto “não voltámos a registar casos de abandono escolar”.
José Morgado, psicólogo, defende que turmas de meninos ciganos só são aceitáveis se forem temporárias, Mas concede a dúvida a estas experiências.
Exemplo: Diferente entre iguais
É referido o exemplo de Carolina, a única criança não cigana que frequenta a EB1 da Quinta do Simão, em Aveiro, e cuja intenção da mãe quando a inscreveu ali era que frequentasse o pré-escolar até entrar para o ensino básico. No final do pré-escolar, quando a mãe se preparava para a tirar, Carolina não quis “porque já tinha muitos amiguinhos”.