A propósito dos Ciganos: Onde está o problema?, por P. Valentim Gonçalves (VG)


Voz da Verdade (26 Set)
A propósito dos Ciganos: Onde está o problema?, por P. Valentim Gonçalves (VG)
De novo se levantou a polémica sobre os ciganos. Agora de uma forma acesa em França com as medidas do Governo Sarkozy. As reacções não se fizeram esperar: em França, dentro da Comissão Europeia, a nível da Comissão dos Direitos Humanos da ONU, obviamente entre as autoridades romenas; o Vaticano reagiu e reafirmou a igual dignidade e o consequente respeito por todos; ainda há dias os nossos deputados foram confrontados com o acontecimento
VG recorda que antes de toda esta questão, “ o Conselho da Europa interpelou o Governo português relativamente a medidas assumidas para com a comunidade cigana; também por causa do realojamento de 50 famílias ciganas no Bairro das Pedreiras, em Beja, escondido por um muro de três metros de altura e um km de comprimento, o Bispo local manifestou que a questão não se resolve com muros de betão. VG lamenta a existência de tantos muros neste mundo do progresso, recordando que além dos muros físicos existem “os muros psicológicos do preconceito, da racionalidade superficial, do medo de perder o estatuto”.
Sublinha a necessidade de olharmos para este problema de frente, não procurando simplificar nem arranjar bodes expiatórios. A situação actual, considera JG é “de ausência de cidadania, visível, a título de exemplo, na vandalização dos espaços públicos e no incumprimento das obrigações de quem partilha espaços colectivos; (…) a ausência de autoridade do Estado que, por alheamento, desconhecimento, falta de vontade ou incapacidade para enfrentar as exigências da sua missão, faz de conta que não vê, aplica alguns paliativos e, logo que pode, passa a batata quente a outras instâncias”. E refere que “por isso muitos dos problemas que nos são mostrados como típicos dos bairros sociais vão surgindo noutros bairros não sociais onde a situação é idêntica”.
VG reconhece que “a cidadania exige uma caminhada longa e por vezes lenta”. E recorda Miguel Esteves Cardoso que escreveu há dias no Público que os ciganos “são a nossa salvação e tê-los entre nós lembra-nos que somos livres, caso tivermos a coragem de pensar nisso”. E aponta como caminho “uma maior educação para a cidadania e um Estado que a promova, apoiando o esforço dos cumpridores e ajudando com determinação os prevaricadores e a assumirem as regras do jogo num país que sabe o que quer”.