Em 29 de Setembro, realizou-se em Bruxelas, a Conferência final sobre o Projecto WORKALÓ – Criação de novos perfis ocupacionais para as minorias culturais: o caso cigano.
WORKALÓ – Projecto sobre perfis ocupacionais para as minorias culturais: o
caso cigano
Em 29 de Setembro, realizou-se em Bruxelas, a Conferência final sobre o Projecto WORKALÓ – Criação de novos perfis ocupacionais para as minorias culturais: o caso cigano. O Projecto de 3 anos, financiado pela Direcção Geral de Investigação da Comissão Europeia reuniu grupos de pesquisa de 4 países europeus: Espanha (Centro de Investigação em Teorias e Práticas que Ultrapassam Desigualdades – CREA, Barcelona), Portugal (Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa), Roménia (Universidade de Timisoara do Leste – Instituto Romeno para a Educação de Adultos – IREA) e Reino Unido (Universidade de Surrey – Instituto Guilford).
A Conferência focou a necessidade de maior inclusão à escala Europeia no mercado de trabalho, na educação e nas políticas sociais e apresentou as perspectivas de representantes da Comunidade Cigana na Europa sobre a situação actual e as suas perspectivas de futuro. A Conferência focou ainda a necessidade de políticas de “acção afirmativa” na Europa para melhorar a coesão social e recomendações de políticos para a inclusão do povo Cigano no mercado de trabalho e na sociedade Europeias.
A investigação surgiu da constatação do agravamento quer do desemprego entre a população cigana europeia (em algumas áreas 100%), quer da crise da venda ambulante na actual economia europeia, o que põe em risco a sobrevivência de muitas famílias ciganas. Tal situação foi considerada um tema urgente na construção de uma sociedade europeia socialmente coesa.
O Projecto parte da constatação de que os ciganos possuem qualificações profissionais que são procuradas pelas economias de sociedades de informação. Por exemplo, a capacidade de adaptação a contextos em mudança constante e de lhes dar resposta rápida. Os ciganos são tradicionalmente flexíveis, adaptam-se a contextos diferentes e estão habituados a tomar decisões rápidas no local de trabalho. Tal constatação abre aos ciganos novas oportunidades de emprego que carecem de ser exploradas.
Entre as recomendações do Projecto, salientam-se:
– a necessidade de encorajar “redes de solidariedade” económica, como um meio eficaz de reduzir a exclusão do mercado de trabalho.
– A necessidade de financiar empreendimentos ciganos, cooperativas ou de auto-emprego que criem novos caminhos de acesso ao mercado de trabalho.
– Deverá ser fomentada a regulamentação de actividades económicas informais, como um primeiro passo para uma importante inclusão laboral.
– Deverão ser criados sistemas de apoio à promoção de iniciativas empresariais nos domínios dos serviços legais e financeiros que aumentem as oportunidades de criação de novas empresas familiares e outros tipos de auto-emprego.
– As minorias étnicas devem participar no desenvolvimento de políticas destinadas a solucionar os problemas das suas comunidades.
– A educação deve respeitar a igualdade das diferenças, deve ser eficaz para todos e a comunidade deve participar nela. A educação deve ser intercultural e onde houver populações ciganas deve incluir professores ciganos.
Quem quiser informação mais detalhada pode aceder a: www.neskes.net/workalo/indexan.htm