Dez anos depois de ter sido elevado aos altares, um cigano, Zeferino Giménez Malla, foi publicado um documento do Conselho Pontifício para os Migrantes e Itinerantes, especialmente dedicado à etnia cigana.

Editorial
Dez anos depois de ter sido elevado aos altares, um cigano, Zeferino Giménez Malla, foi publicado um documento do Conselho Pontifício para os Migrantes e Itinerantes, especialmente dedicado à etnia cigana, que deve merecer atenção, tanto da parte da sociedade civil e dos governantes, como da Igreja e das diversas confissões religiosas.
Em Portugal vivem 40 000 ciganos ou talvez um pouco mais. São uma minoria entre as diversas minorias, mas não da última hora, como tantas outras, pois se instalaram entre nós no séc. XV.
Apesar deste espaço de tempo, não é difícil verificar que em algumas comunidades locais, bem como em escolas, há ainda muita suspeita e pouco acolhimento em relação aos membros desta etnia, que não são já imigrantes, mas cidadãos portugueses.
É esta etnia que urge promover e evangelizar.
O documento “Orientações para uma Pastoral dos Ciganos” é claro ao afirmar que a evangelização dos ciganos é missão de toda a Igreja e nenhum cristão deveria ficar indiferente perante situações de marginalização ou distanciamento da comunhão eclesial.
Refere ainda o citado documento a necessidade de se implementarem agentes pastorais ciganos, como meio importante de evangelização, afirmando que é “a partir de uma pastoral bem implantada que deverá nascer, como fruto natural, um ‘protagonismo’ dos próprios ciganos”.
Estes serão, assim, apóstolos de si próprios.
Já Paulo VI afirmou, embora noutro contexto: “é necessário uma incubação do ‘mistério’ cristão no génio do vosso povo, para que a voz nativa mais límpida e mais franca, se eleve harmoniosa no coro das vozes da Igreja universal”.
A formação de leigos ciganos para tarefas pastorais deve ser prioridade, pois em meu entender, aqui está o futuro da Igreja.
Do interior de tal protagonismo brotará a oração para que o Espírito suscite entre os ciganos vocações sacerdotais, diaconais e religiosas necessárias para que se possa falar de uma autêntica “implantação da Igreja” no ambiente cigano.
Num encontro internacional recente, realizado em Roma, foi dado a conhecer que há já na Igreja mais de uma centena de ciganos clérigos e consagrados oriundos de diversos países da Europa e da Ásia. Muitos participaram nesse encontro.
É necessário levar a cabo uma promoção adequada de vocações, pois que “a Igreja lança raízes mais profundas em cada grupo humano quando as várias comunidades de fiéis conseguem suscitar de entre os seus próprios membros os ministros da salvação” (AG 16).
P. Amadeu Dias Ferreira