Memória CV – Há 28 anos Duas horas e vinte da madrugada, de 13 para 14 de Julho de 1978. Os deputados da Assembleia Municipal de Aveiro têm de votar: O feriado municipal passa a ser 12 de Maio, dia da morte de Santa Joana, ou continua a ser 16 de Maio?
Para muitos aveirenses poderá parecer estranho, mas durante três anos (1976-77-78), o feriado municipal foi o dia 16 de Maio.
Na sequência dos tempos revolucionários de Abril de 74, a liberal Aveiro trocou o dia da morte da Princesa pelo dia do início da segunda revolução liberal, em 1828. Acontece que a maior parte dos aveirenses não ficou satisfeita. 12 de Maio era feriado na cidade desde 1952. E as comemorações do 150º ano da revolução liberal, em 1978, foram um fiasco. “Uma vergonha”, “cinco pessoas a depor os ramos de flores na Praça Melo Freitas”, “duas pessoas na romagem ao cemitério” – disseram os deputados municipais na Assembleia do dia 13 de Julho, conforme se pode ler no Correio do Vouga de 21 de Julho de 1978.
Perante tal panorama, a votação. Resultado: 15 votos a favor do dia 12 de Maio, 3 votos contra e 2 abstenções. Um dos deputados que votou contra declarou: “Votei contra porque, embora sendo admirador de Santa Joana Princesa, se votasse a favor considerar-me-ia antiliberal e antidemocrata”. Assistiu a essa sessão “numeroso público, que (…), não contendo o entusiasmo, irrompeu numa numerosa salva de palmas”.
O texto do CV, assinado pelo Pe Sebastião Rendeiro, termina com uma citação de D. João Evangelista, que vale sempre a pena recordar: “De Aveiro, que eu saiba, só há ela que seja levada num andor, aos ombros da nossa devoção citadina, pelas ruas e pelas praças, ou até numa caravela doirada, pela amplidão da ria ou pelos novelos dos seus canais. Aos outros, aos Pantaleões, aos Afonsos, aos Estêvãos, aos Magalhães, podemos trazê-los nas admirações dos nossos espíritos, nas vigílias dos nossos olhos, nas palmas das nossas mãos. Mas a ela, à nossa Santa, trazemo-la, como num sacrário, no coração. É outra coisa”.
