Hão-de ver-nos!…

Em cerimónia de posse de nova administração de um reconhecido meio de comunicação social da Igreja, D. José Policarpo falava da visibilidade da Igreja na Sociedade. Com lhaneza e certa graça, afirmava que a Igreja tem de se fazer visível, para aqueles que gostam de nós e para os que não gostam. Que não pode abdicar dessa visibilidade… A Sociedade há-de encontrar-nos pelos caminhos da vida!

Não estamos em tempo de presença maximalista, por via de imposição de estruturas, de prestígio e de poder dominador. Mas o sadio pluralismo não é o artifício do “dividir para reinar”, inculcando um minimalismo de presença que nos faça descer às catacumbas. Ser fermento e sal, ser luz, não é substituir-se à sociedade, mas é fazer sentir nela a qualidade e o vigor desta proposta de vida – desta, a católica, como de outras, de visão de pessoa e de mundo, de força inspiradora da própria organização social!

A realização do V Encontro Mundial das Famílias em Valência, o que permitiu dizer alto e bom som, é mais uma manifestação da consciência que a Igreja tem da sua obrigação de não calar os valores inspiradores de uma vida pessoal e social sadia, sem fundamentalismos ideológicos, acolhendo o contributo de todas as propostas que visem a realização integral da pessoa, a estabilidade da célula estruturante da mesma sociedade, a família. Mesmo com a obstrução de uma comunicação social estrábica, os que gostam e os que não gostam de nós não têm modo de se furtar a ouvir e a ser interpelados pela firmeza, lucidez e verdade das afirmações que pontuaram neste fórum.

E, de novo, Bento XVI se manifestou como “homem do leme”, como quem, pelo dom do Espírito, conhece a pessoa humana por dentro e por fora, como quem deixa percorrer no seu coração os trilhos direitos e os caminhos tortuosos das ciências do Homem, para discernir a palavra sóbria, organizada, forte…, sem ferir ninguém, com uma afabilidade que surpreende. Oferece o arrimo do seu bordão de Pastor aos irmãos no Episcopado, incitando-os a que prossigam a missão, mesmo no meio das provações, certos de que, anunciando Jesus Cristo, anunciam a Vida, que Ele tem e comunica em plenitude.

Hão-de nos ver e ouvir!… Porque a Luz não é para colocar debaixo do alqueire, porque o sal é para transmitir o seu sabor, porque o fermento é para levedar a massa. E a certeza é esta: “Eu estarei convosco, até ao fim dos tempos!”.