Uma Pedrada por Semana Sabemos todos que a adopção significa um gesto corajoso, uma expressão de amor, um risco a demandar esperança.
Parece, porém, que alguns casais mais procuram na adopção de uma criança uma satisfação pessoal, do que, pensando mais nela, proporcionar-lhe de modo gratuito um ambiente familiar que a eduque e dê sentido à sua vida.
As leis de adopção não podem ser facilitadoras, mas também não devem ser inibidoras e pejadas de dificuldades. Não faltam casais a viver inseguros pelo receio de que não lhe concedam a adopção de uma criança que têm consigo há muito tempo e pela qual já se afeiçoaram de modo inevitável, normal e sem regresso.
Disse agora a responsável nacional pelas adopções que há 300 crianças para adoptar, mas que ninguém as quer…
Há anos perguntei a um membro do governo, que numas jornadas sociais falava com muito entusiasmo sobre a adopção, se a sua família adoptava uma criança negra ou uma criança deficiente. Não gostou e achou a pergunta provocadora. Mas eu quis mesmo provocar e pude acrescentar para sua informação que há casais, e eu os conhecia, que o tinham feito, não obstante terem filhos seus…
Os gestos de amor não se impõem, não se improvisam, mas apreciam-se e estimulam-se.
300 crianças que ninguém quer!… E continuamos a dizer que o melhor do mundo são as crianças. Quais? Só as lindas, saudáveis, de olhos azuis e cabelo louro?
António Marcelino
