Regresso ao essencial – 1

Dias Positivos Aquilo que a Sedes (Associação para o Desenvolvimento Económico e Social) avançou sobre o país não é difícil de entender e perceber para o cidadão comum. Diz o tal documento citado pelo jornal Público (22 de Fev.) que em Portugal há “um mal-estar difuso”, que “alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional”, que se vive um “estado de suspeição generalizada”, que há “degradação da qualidade da vida política”, etc., e que se este estado de coisas continuar “emergirá, mais cedo ou mais tarde, uma crise de contornos difíceis de prever”.

De facto, vamos lendo, ouvindo e sentindo, em casos próximos ou da própria experiência, que, independentemente do ciclo político, não se pode confiar na Justiça (demora e acaba por diluir-se em questões processuais), que a Escola está desorientada (professores e governantes em conflito; reformas ineficazes; licenciaturas inconsequentes…), que o Estado em vez de servir o bem comum serve-se dos cidadãos para servir alguns privilegiados, que a desigualdade económica aumenta, que alguns bancos não são dignos de crédito… Ouço opinadores habitualmente pessimistas, como Miguel Sousa Tavares, Pulido Valente ou António Barreto, e desejo pensar: “Oxalá não tenham razão”. Mas têm.

O que é que falta a Portugal? Há alguma causa comum na desilusão colectiva? Pode haver esperança? O Na próxima semana, retomamos o assunto.

J.P.F.