Onde está a razão?

Uma pedrada por semana Parece que o Ministro da Saúde se abespinhou, reagiu e agiu com um rigor que não respeita leis, porque alguém afixou uma palavra sua, em que afirmava: “Nunca vou a um SAP, nem nunca irei”. A meu ver, não tinha que se irritar, mas, antes, agradecer que lhe tenham recordado uma palavra menos feliz para a sua condição de governante do sector. Que como cidadão não queira usar os serviços públicos da saúde, isso é lá com ele. Mas que, como ministro, nos diga que os seus serviços para ele não servem, não é coisa indiferente.

Já aqui desafiei o senhor ministro a passar uma manhã numa sala de atendimento e de espera de um centro de saúde com muito movimento e restritas condições. Assim, sem que ninguém saiba quem é ele como possível utente, ali ao lado, muito caladinho se o conseguir. Se estiver sentado, já tem muita sorte… Ficaria, então, a admirar os seus colaboradores, a saber das queixas de quem procura um serviço a que tem direito, do tempo que se demora a ser atendido, dos incómodos de quem sofre e de quem serve…

O desafio não surtiu efeito. Decerto nem lhe chegou, porque a um chefe muito ocupado não se levam coisas desagradáveis. Agora, porém, chegou-lhe depressa a denúncia de um servidor atento à espera de ser promovido.

Enquanto os senhores ministros só forem ao encontro das pessoas para fazer inaugurações e receber flores, vivas e elogios – cuidado que já há quem dê vaias e apupos! – as suas leis, decretos e portarias, sairão mais coxas que escorreitas. E o povo que os aguente, porque eles é que sabem e podem.

A. Marcelino