Comissão quer defender interesses dos utentes do Hosital de Aveiro

O Hospital Infante D. Pedro não tem meios para responder aos 300 mil habitantes que serve — diz a Comissão

Foi apresentada no sábado passado a Comissão de Utentes do Hospital Infante D. Pedro. A comissão “surge por vontade de um grupo de cidadãos e tem como objectivo representar e defender os interesses dos utentes, face à situação preocupante” em que se encontra a unidade hospitalar, refere Cláudia Pereira, porta-voz.

Na tarde de sábado, à hora das visitas do Hospital Infante D. Pedro (HIP), os seis membros iniciais da Comissão procediam à distribuição de panfletos e à recolha de assinaturas. Na segunda-feira, a comissão estava a chegar à meia centena de membros, conforme informou Cláudia Pereira.

Segundo a comissão, o HIP “não tem meios quer humanos quer materiais” para responder aos cerca de 300 mil habitantes de Aveiro, Estarreja, Albergaria, Sever do Vouga, Águeda, Oliveira do Bairro, Murtosa, Vagos e Ílhavo e “é já visí-vel a deterioração da qualidade dos serviços”, nomeadamente no “aumento dos tempos de espera para consultas externas, cirurgias e urgências”. “São conhecidos os casos de mais de dois anos de espera por intervenções cirúrgicas e oito horas de espera por cuidados nas urgências”, refere Cláudia Pereira.

A Comissão afirma ainda que “é reconhecida a pressão a que os tra-balhadores do Hospital, (…) seja pessoal médico, enfermeiros, admi-nistrativos, auxiliares ou outros, estão sujeitos” e considera que a situação que se vive no Hospital “não está desligada da actual situação e opções deste governo”. Interrogada pelo Correio do Vouga se a iniciativa da Comissão tem origem partidária, Cláudia Pereira recusou-se a responder à pergunta. Nos panfletos distribuídos surge o slogan “A saúde é um direito! Não é um negócio”, habitualmente usado em acções do PCP.

A Comissão pensa em pedir uma reunião com a direcção do Hospital e prevê, nos próximos dias, distribuir informação sobre a situação do HIP no serviço de consultas externas. No domingo passado, à saída das missas da Sé, foram distribuídos panfletos sobre “defender o Hospital de Aveiro” e de divulgação da Comissão.

J.P.F.