À Luz da Palavra – 1º Domingo do Advento – Ano A A Igreja convida-nos a entrar em mais um ano litúrgico, que se inicia com o 1º domingo do Advento. A liturgia deste domingo apela-nos à vigilância, porque “o Senhor está a chegar”.
A primeira leitura interpela-nos fortemente no contexto de conflitos armados em que nos encontramos. Isaías tem uma visão dos tempos messiânicos: nesses dias, já não haverá guerras, nem discórdias entre povos e nações. Os instrumentos de guerra transformar-se-ão em instrumentos de trabalho e de bem-estar comunitário, porque Ele, o Senhor, será o juiz e o árbitro, e todos se guiarão pela sua palavra. Depois de mais de vinte séculos de cristianismo, parece-nos que estamos ainda bem longe da realização desta profecia. Como explicar isto?
O evangelho faz um veemente apelo à vigilância. Como aconteceu nos dias de Noé, em que as pessoas viviam a sua vida normal e não deram pelo dilúvio e todos pereceram, excepto Noé e a sua família, também nos tempos de Jesus as pessoas faziam a sua vida normal e algumas não se aperceberam da sua vinda, como o Messias esperado. Hoje, também, as pessoas compram, vendem, trabalham, descansam, divertem-se, casam-se…, mas podem estar distraídas do essencial, que é uma vida honesta e transparente, vivida segundo os critérios e valores do Evangelho. Ninguém sabe a que horas chega o “ladrão” ou seja, a morte, o encontro definitivo com Jesus Cristo. Cada dia Ele nos chama à proximidade com Ele e à vivência do amor fraterno, onde Ele está escondido no irmão e na irmã. Por várias vezes, Jesus advertiu os seus discípulos e continua a advertir-nos a nós, mediante a sua palavra, de que é preciso aprendermos a “ler” os sinais de Deus presente na nossa história pessoal e colectiva. É deste modo que Deus se nos revela e acompanha o nosso caminhar. O cristão e a cristã deveriam perguntar-se, diariamente: “Senhor, que me dizes a mim e nos dizes a nós, comunidade ou humanidade, através deste acontecimento? É que há sempre um apelo, uma interpelação, um rasgar caminho, que se esconde atrás dos sinais que vemos e que nos concernem, agra-dável ou desagradavelmente. O cristão e a cristã têm de ser profetas de olhos rasgados, a olhar o longe e o distante, porque Deus caminha à nossa frente, na travessia do nosso deserto. Costumo reflectir nisto? Estou predisposto/a a descobrir Deus nos acontecimentos da vida?
Na segunda leitura, Paulo dá conselhos muito práticos e em coerência com o Evangelho, para que os cristãos vivam na atitude de vigilância, recomendada por Jesus: “Aban-donemos as obras das trevas e revistamo-nos da armas da luz”. Ou, por outras palavras, deixemos uma vida centrada no imediato e no materialismo, abandonemos as tendências consumistas e hedonistas, e abramo-nos ao essencial, que é Deus presente nas nossas vidas. Chegou a hora! A hora de Deus! A hora da oferta da salvação em Jesus Cristo está sempre a chegar a cada um de nós, através de tantos auxílios espirituais e de tantas mediações que o Senhor nos concede. Como desenvolvo eu a atitude de vigia e de escuta dos sinais de Deus? Como vou viver este novo ano litúrgico? Na minha família, no meu trabalho, com os vizinhos, na comunidade cristã?
Leituras do 1º Domingo do Advento – Ano A: Is 2,1-53; Sl 122 (121); Rm 13, 11-14; Mt 24, 37-44
Deolinda Serralheiro
