À Luz da Palavra – 2º Domingo do Advento – Ano A A liturgia indica-nos a importância da conversão, e a palavra de Deus muito nos ajudará a compreender esta necessidade na nossa caminhada cristã. Somos convidados a despojarmo-nos dos valores caducos e egoístas e a interiorizar os valores fundamentais do Reino de Deus.
Na primeira leitura, o profeta Isaías apresenta um enviado de Iavé, sobre o qual repousa a plenitude do Espírito de Deus e que tem por missão construir a harmonia cósmica e universal. Nós, cristãos, vemos nesta personagem Jesus Cristo, o Messias, que veio concretizar este sonho, inaugurando um Reino de justiça, de harmonia, de paz sem fim. Cheio do Espírito Santo, convida-nos a tornarmo-nos filhos de Deus e a vivermos no amor, na partilha, na solidariedade, na compreensão mútua. As nossas comunidades cristãs dão testemunho de harmonia, de entendimento entre as pessoas, de partilha e de amor sem fronteiras? E eu próprio, com as minhas atitudes e comportamentos, estou a trabalhar para que o Reino de Jesus se vá implantando sobre a terra?
No evangelho, João Baptista anuncia que a efectivação deste Reino está muito próxima. Mas, para isso, João convida os seus contemporâneos a mudar de mentalidade e a assumir novas atitudes e valores, para que esta promessa do Reino seja concretizada. O Messias, ao propor um novo baptismo no Espírito, pretende fazer de nós filhos e filhas de Deus, capazes de viver a dinâmica do Reino. Não é suave a mensagem deste evangelho. Deus está cansado das nossas aparências e incoerências. A presença do Messias no coração das pessoas e no mundo produz uma acção radicalmente transformadora, constrói a harmonia cósmica e universal, de que fala a primeira leitura. Esta presença efectiva-se em cada um de nós. Sou eu que, cheia do Espírito do Senhor, devo chicotear o mal com a minha palavra, inspirada na palavra de Deus, e devo pronunciar sentenças justas, segundo a verdade e não pelas aparências. Em que medida sou eu audacioso para correr o risco profético de «comer» a palavra de Deus para, com ela, debelar o mal que em mim existe e denunciar o que está mal à minha volta? Serei eu cristão a tempo inteiro, ou apenas nos actos de culto?
Na segunda leitura, Paulo recomenda aos cristãos de Roma que receberam a proposta do Reino; e a nós também, que alimentemos sentimentos convergentes uns face aos outros, sentimentos que provoquem harmonia, embora, com maneiras de pensar e culturas bastante diferentes. Que nos acolhamos uns aos outros como Cristo nos acolheu. Que nos disponhamos a servir uns aos outros, como Cristo, que se fez servo de todos. Como vive a minha comunidade cristã a partilha com os mais pobres, a ajuda mútua, o dom da vida? Estas atitudes só são possíveis com a ajuda de Deus, que renova e converte o nosso coração. Costumo pedir ao Senhor esta graça? Deixo-o actuar no meu coração?
2º Domingo do Advento – Ano A: Is 11,1-10; Sl 72 (71); Rm 15,4-9; Mt 3,1-12
Deolinda Serralheiro
