Evocados José e Gustavo Ferreira Pinto Basto

Ciclo de conferências “Aveirenses ilustres” osé Ferreira Pinto Basto e o seu neto Gustavo Ferreira Pinto Basto foram os “aveirenses ilustres” evocados por Carlos Lourenço do Carmo da Câmara Bobone, licenciado em história e autor do livro, em dois volumes, “História da Família Ferreira Pinto Basto”, editado pela Livraria Bizantina, da qual é gerente.

No período de debate, Gustavo Ferreira Pinto Basto esteve no centro de uma polémica, já centenária, motivada pela construção da actual Praça Marquês de Pombal, que implicou o corte da parte frontal da igreja e do convento das Carmelitas. Para um dos intervenientes, aquele antigo autarca e filantropo aveirense é um vulto “esquecido” e que merece um reconhecimento público dos aveirenses, muito em especial pela obra que deixou enquanto autarca, incluindo a Praça Marquês de Pombal. Já para o Padre José Belinquete, autor de um livro sobre o Convento das Carmelitas, o corte do convento e da igreja das Carmelitas foi um acto de “vandalismo” que empobreceu o património arquitectónico e cultural de Aveiro, tanto mais que ele era um dos mais ricos conventos aveirenses e, apesar desse corte, a qualidade artística e patrimonial da sua igreja motivou que fosse classificada como monumento nacional.

Carlos Lourenço do Carmo da Câmara Bobone considerou que “seria interessante fazer-se um estudo mais profundo sobre a vida e obra de Gustavo Ferreira Pinto Basto”.

Hoje, quando tanto se fala de “capitalismo social” e em “política social das empresas”, a obra de José Ferreira Pinto Basto continua actual e é exemplo para os empresários modernos, não só por todo o complexo industrial, social e cultural que fundou na Vista Alegre, mas também pela sua acção desempenhada em outras áreas, nomeadamente como provedor da Casa Pia de Lisboa, onde deixou um trabalho meritório.

Na cidade de Aveiro, José Ferreira Pinto Basto instalou algumas indústrias. O edifício da antiga fábrica da soda ainda continua de pé, só que agora como sede da Assembleia Municipal de Aveiro, edifício mais conhecido por “Capitania”. No entanto, foi na Vista Alegre que José Ferreira Pinto Basto deixou a sua principal criação industrial: a Fábrica de Porcelanas da Vista Alegre, fundada em 1824. Associado à fábrica desenvolveu-se um bairro social para os operários (e respectivas famílias), com diversos serviços e equipamentos inovadores para a época: banda de música, grupo de teatro, sala de espectáculos (o edifício do teatro foi recentemente renovado e continua activo), o primeiro corpo privativo de bombeiros criado em Portugal, escuteiros, creche, entre outras. Além disso, criou condições para que todos os operários tivessem instrução escolar e formação cultural e artística.

Próxima conferência: 4 de Fevereiro, às 18h30, sobre o Padre Fernão de Oliveira, por António Manuel da Silva Ribeiro, no Museu da Cidade (ao Rossio).