25 anos da instituição da paróquia da Borralha

11 de Fevereiro de 2008 A sudoeste da cidade de Águeda e junto ao rio, nasceu há séculos um pequeno burgo, que passou a ser conhecido com o nome de ‘Sardão’, cujo território se dividia e divide pelas freguesias de Águeda e de Recardães; era aí que o caminho, descendo das faldas do Caramulo e das terras beiraltinas, se cruzava e interligava com a velha estrada que, de Braga e do Porto, seguia para Coimbra e para Lisboa e onde, certamente, os estafetas deixavam e levavam a correspondência, as mu-las eram mudadas e os viajantes descansavam e se abasteciam. À ilharga-sul desta povoação, num lugar elevado mas somente dentro das fronteiras da freguesia de Águeda, foi surgindo um novo aglomerado, que logo se chamou ‘Borralha’.

À volta da capela

A capela de Nossa Senhora de La-Salette, que existiu até à actual igreja matriz da Borralha, na parte alta e no mesmo sítio, foi mandada edificar pelo primeiro conde de Sucena, o benemérito José Rodrigues de Sucena. Este templo substituiu um outro, cuja autorização foi requerida em 22 de Setembro de 1860 ao padre dr. José António Pereira Bilhano, vigário-geral da Diocese de Aveiro, que despachou favoravel-mente o pedido. Já antes, em 13 de Agosto do mesmo ano, Nossa Senhora de La-Salette passou a ser o Orago da aldeia.

Assim, em redor da velha capela – e agora da igreja – foi crescendo a povoação da Borralha, que hoje conta alguns milhares de habitantes, dedicados à indústria e às mais díspares profissões. Dado o seu índice demográfico e o seu desenvolvimento social, viriam a verificar-se as condições indispensáveis para a sua autonomia religiosa e para a sua emancipação administrativa.

Em 1949, o recém-ordenado padre Laurindo Ferreira Machado foi nomeado capelão do lugar da Borralha, da paróquia e freguesia de Santa Eulália de Águeda. Iniciando o exercício do seu múnus, logo se apercebeu das enormes necessidades religiosas e sociais do povo entregue aos seus cuidados. Não lhe foi difícil reconhecer que precisaria de trabalhar muito; mas também não quis negar-se, nem por um instante, à tarefa que recaíra sobre os seus ombros. Assim, passados menos de dois anos, o padre Laurindo anunciava o começo dos trabalhos de construção de um edifício junto da capela de Nossa Senhora de La-Salette, para residência do capelão e para salas de catequese e de formação. Em face da míngua de recursos económicos, conseguidos pela generosidade dos habitantes, o padre Laurindo não encontrou outra solução, a não ser deslocar-se junto dos emigrantes no Brasil, na Venezuela e nos Estados Unidos da América do Norte. Venceu e triunfou!…

Promessa

de D. João Evangelista

A inauguração do edifício realizou-se em 20 de Junho de 1954. Nas cerimónias esteve presente o arcebispo-bispo de Aveiro, D. João Evangelista de Lima Vidal, que deu a jubilosa notícia de que o lugar da Borralha, dentro em breve, seria elevado à categoria de paróquia religiosa. E levou a sua bondade ao ponto de consultar publicamente as pessoas sobre o assunto, fazendo-o por esta forma: – «Quereis que seja criada a freguesia da Borralha?» Claro que a assembleia respondeu a uma só voz, afirmando com vibração e entusiasmo: – «Queremos!… Queremos!…» O arcebispo apenas acres-centou: – «Tenho entendido… e tenho dito!» Uma salva de palmas, em apoteose, coroou as suas palavras.

No decorrer dos anos futuros, o sonho da criação da paróquia da Borralha foi germinando em ordem à possível concretização, mesmo sem a inclusão do lugar do Sardão dentro dos seus limites. Contudo, ao padre Laurindo fora confiado outro ofício pastoral, no Seminário de Santa Joana; e D. João Evangelista faleceria em Janeiro de 1958, sem dar o despacho favorável à criação da paróquia. Entretanto, em Dezembro de 1962, tomou conta dos destinos da Diocese de Aveiro D. Manuel de Almeida Trindade. Este prelado quis logo ter conhecimento dos assuntos e problemas pendentes, para lhes dar as possíveis respostas. Um deles foi o processo da Borralha.

Reitoria da Borralha

A partir de Maio de 1964, foi capelão da localidade o padre António Gonçalves Pereira, que logo contou com a colaboração de uma Comissão do Culto, instituída no ano seguinte. Nesta ocasião, a comunidade prosseguia na aventura da construção de um novo e espaçoso templo, capaz de corresponder à numerosa população do lugar, dado que a capela de Nossa Senhora de La-Salette era de dimensões exíguas. De tal forma decorreram os trabalhos que, em 5 de Setembro de 1965, a igreja foi benzida pelo bispo de Aveiro. Por motivo de saúde, o padre António Gonçalves Pereira teve de ser substituído, em 1967, pelo padre Messias da Rocha Hipólito. Por fim, após o respectivo processo canónico, o prelado erigiu canonicamente a Reitoria de Nossa Senhora de La-Salette da Borralha, mediante o documento que assinou em 6 de Fevereiro de 1968, para entrar em vigor no dia 11 seguinte.

Finalmente, paróquia

Transcorrido algum tempo, D. Manuel de Almeida Trindade, concluindo que chegara a altura da passagem definitiva da Reitoria da Borralha à categoria de Paróquia, em 11 de Fevereiro de 1983 expediu a provisão diocesana, com a explícita anuência de D. António Baltasar Marcelino, seu bispo coadjutor. Na mesma data, o padre António Graça da Cruz foi nomeado pároco da Borralha, «com todos os direitos e deveres que lhe competem, o qual até agora e desde 1975 exercia o múnus eclesiástico de reitor da mencionada comunidade católica.»

Freguesia civil

Em 1986, aconteceu um facto de primordial importância para a Borralha. Paulatinamente, a sua população foi outrossim desejando a sua emancipação civil; por isso, com a consciência de que já constituía uma paróquia, vivendo com a sua autonomia no seio da Igreja Católica, iniciou-se o respectivo processo, cujo percurso não teve dificuldades de relevo. A decisão acabou por ser favorável; o “Diário da República” de 20 de Agosto de 1986, publicou a respectiva Lei nº 25/86.

Entre os seus objectivos, a paróquia não se tem alheado do exercício da acção sócio-caritativa ou de solidariedade social. Por isso, deu concretização ao Centro Social Paroquial da Borralha, instituído em 6 de Julho de 1992 por iniciativa do padre António de Almeida Cruz. Começando a exercer a actividade no edifício das salas de catequese e reuniões da paróquia, foi mais tarde transferido para uma moradia sita no lugar do Brejo, conhecida por ‘Casal Lito’, propriedade da Diocese de Aveiro. Anexas à casa antiga, foram construídas novas instalações, que foram oficialmente inauguradas em 14 de Julho de 2007.

Neste campo, não se pode esquecer a presença na paróquia do Centro Social de Formação e Assistência da Borralha, instituído em 30 de Novembro de 1966 pelo bispo D. Manuel de Almeida Trindade. Este organismo sempre esteve sediado na Casa do Redolho, desenvolvendo actividades de beneficência, de caridade e de educação; além de infantário, jardim de infância e tempos livres para adolescentes e jovens, o Centro ministra mini-cursos de formação, recebe grupos de peregrinos e mantém um ‘Núcleo Familiar’ para a educação humana e acompanhamento moral daqueles e daquelas que não têm família capaz de os preparar para a vida e para o futuro – tudo orientado carinhosamente pelas senhoras da Obra de Nossa Senhora das Candeias, coadjuvadas pelas suas cooperadoras.

Unidade Pastoral

O bispo da Diocese, que já desde 20 de Janeiro de 1988 era D. António Baltasar Marcelino, considerando que «a realidade sociológica e pastoral, em ordem ao melhor aproveitamento dos agentes pastorais residentes na zona, e a tentativa de organização de uma pastoral orgânica ou de conjunto levam à constituição de algumas unidades pastorais, integrando, para já, presbíteros, diáconos, religiosas consagradas e leigos mais preparados», em 20 de Julho de 2005 houve por bem constituir a ‘Unidade Pastoral de Águeda’, com as paróquias de Águeda, Barrô, Borralha, Castanheira do Vouga, Macieira de Alcoba, Préstimo e Recardães.

Em consequência de tal determinação diocesana, presentemente a paróquia da Borralha continua a ser espiritualmente servida e assistida nos moldes da mencionada Unidade Pastoral, em que está enquadrada. No seio da Igreja Católica, os seus membros activos desejam continuar a ser testemunhas de Jesus Cristo e da sua mensagem evangélica. Os quarenta anos da criação da Reitoria e os vinte e cinco da Paróquia servem-lhe de incentivo.