Educação sexual?

Mais um diploma do Ministério da Educação, referente a educação sexual nas escolas, para obviar ao que se diz ser uma educação libertadora de atavismos e tabus sexuais. Bem vistas as coisas, estes diplomas são claramente reducionistas: de educação não têm nada. Contêm elementos informativos da área da saúde, resumem-se a fornecer dados biológicos, no intuito de prevenir riscos sanitários e sociais.

Ora a educação é muito mais do que isso. Essa informação, moldada pela ditadura da neutralidade, perde todo o seu valor, na medida em que não propõe quadros de valores que a integrem numa visão total da pessoa humana, como indivíduo e como ser social. Abre as portas a experiências as mais das vezes prematuras, em nome de uma liberdade que o não é. E, sobretudo, a coberto do direito ao sigilo, subtrai a família à responsabilidade e possibilidade de integrar, de modo progressivo, esta envolvente de todo o nosso ser.

As surpresas, depois, surgem. E para elas se programou já o remédio. Os descuidados terão sempre à mão a possibilidade de um facilitado aborto. A questão é mais grave quando os descuidos se tornam flagelos permanentes, ou seja, quando surge a transmissão de doenças crónicas, algumas de consequências bem pesadas, que todos nós vamos pagar do erário público. As estatísticas não assustam com o elevado número de estudantes contagiadas com HIV? Tal situação não resultará, por certo, de uma vida sexual equilibrada e consciente!

Há uns anos, a propósito de métodos de planeamento familiar, um folheto editado por uma instância governativa, apreciando os métodos naturais e os artificiais, dizia como desvantagens dos primeiros, expressões parecidas com estas: “Exigem educação e autodomínio”. Creio que fica tudo dito. Se a educação exclui a própria educação e o autodomínio, que podemos esperar nós dos sistemas educativos?

A harmonia do desenvolvimento pessoal e social reclama uma elevada consciência da maravilha que é a sexualidade, como das exigências que ela implica, para ser elemento estruturante da felicidade. E não é só a informação somática, biológica, emocional, psicológica, que induz caminhos de uma vivência sexual que dê e comunique felicidade.

Só uma cega ideia materialista da pessoa humana, só uma perversa ideologia da identidade pessoal e social, ou uma inconsciente sede de granjear simpatias, podem produzir intenções e perspectivas deste teor. Mas, então, que as pague quem as determina ou as quer seguir. E guardem os nossos impostos para causas que educam e dignificam mais a pessoa humana. Também temos o direito de o reclamar!