Instituições, Grupos e Serviços de Pastoral Social na Diocese de Aveiro – 9 Quem estiver uns minutos no átrio do Centro Social Paroquial de Recardães (CSPR) fica de imediato com uma ideia do dinamismo da instituição. Enquanto observamos as centenas de fotos da última actividade pública – em concreto, o Carnaval em que o CSPR participou em Águeda –, entram e saem dezenas de crianças das mais diversas idades, em grupos, com as suas educadoras, numa saudável confusão, apesar das mãos dadas e das filas.
A poucos metros dali, numa sala, dezena e meia de idosos conversam, descansam ou entretêm-se com uma ou outra actividade manual, como as que duas senhoras voluntárias mais duas jovens estagiárias desenvolvem. Fazem pequenas peças de artesanato, de panos de cozinha a ornamentos com mensagens, que depois são vendidas para angariar fundos para o Centro de Idosos ou para o lar, que por enquanto não passa de um sonho, já que não foi aprovado pela Segurança Social, apesar de haver terreno, projecto e experiência.
Mas só uma visita guiada permite ter uma noção da grandeza de uma obra como o CSPR. Com o P.e Costa Leite, presidente da direcção da instituição, o diácono Afonso Oliveira, vice-presidente, e a socióloga Vanda Oliveira, o Correio do Vouga pôde ver outros espaços como a lavandaria que presta serviço à comunidade envolvente e funciona como empresa de inserção, o refeitório para serviço interno onde as cadeiras nunca ficam desarrumadas (grande ideia! servindo talvez um milhar de refeições por dia aos utentes, crianças em maioria, seria preciso um funcionário só para arrumar as cadeiras, se elas não estivessem acopladas à mesa através de uma mola, permitindo que a cadeira rode e se acomode ao corpo, mas nunca fique desarrumada), a cantina para serviço externo (refeições económicas), a piscina no relvado, o auditório que serve o Centro, mas também a paróquia e a comunidade em geral, ou o Centro de Acolhimento Temporário, por onde já passaram 93 crianças e jovens desde a sua abertura em 1999.
O amor que faltou na família está no CAT
O CAT é, com certeza, a valência mais acarinhada pelos responsáveis do CSPR, patente no trato das crianças com o carinho que as suas famílias de origem não tiveram ou não souberam dar, para além da dedicação a tempo inteiro de funcionários e das religiosas Doroteias. Ao CAT chegam crianças ou jovens por ordem dos tribunais e indicação da Segurança Social. São vítimas da negligência e de maus-tratos, da prostituição e do alcoolismo… Nestes oito anos de existência, 39 crianças entraram com menos de um ano de idade. Daqui saem para adopção (36 % dos casos), regressam à família de origem, se já tiver condições (25%), entram noutra instituição de carácter permanente (9%), são recebidas por uma família de acolhimento (6%), ou adquirem a autonomia da maioridade. O CAT divide-se por duas instalações, uma para crianças do 0 aos 10 anos e outra para meninas dos 10 aos 18.
Formação para combater dependência de subsídios
Apesar da abrangência de serviços de apoio às famílias e de combate à exclusão, os responsáveis do CSPR têm consciência de que “há muito a fazer” e avançam em Março com uma iniciativa de formação para mulheres – algumas já acompanhadas pela Intervenção Comunitária e a receber RSI. Trata-se de um projecto que ensina coisas tão básicas como saber gerir o dinheiro do RSI, como organizar a casa, cozinha saudável, acompanhamento dos filhos, alguma informática, e nalguns casos, ler e escrever. A formação avançará de modo informal, numa primeira fase, e terá como grande objectivo criar vencer a “subsidiodependência”. Se for bem sucedida, será alargada a mais pessoas, já com a colaboração do IEFP (Instituto do Emprego e da Formação Profissional).
Números da solidariedade
500
número aproximado de utentes, distribuídos pelas seguintes valências: Centro de Dia (15 idosos); Serviço de Apoio Domiciliário (45 idosos), Intervenção Comunitária (acompanhamento de 100 famílias com situações problemáticas como alcoolismo, negligência parental, desemprego ou comportamentos violentos); creche (48 crianças); Jardim de Infância (80 crianças); ATL (100 crianças); Centro de Acolhimento Temporário (20 crinaças e jovens até aos 18 anos); duas empresas e inserção (11 mulheres). A este meio milhar de utentes há que acrescentar as 230 crianças que têm Actividades de Enriquecimento Curricular na instituição, as dezenas de clientes – trabalhadores da zona – que diariamente comem no restaurante económico da instituição, ou as três dezenas de praticantes de ginástica nas salas do CSPR, ou ainda o ateliê para invisuais – um projecto a dar os primeiros passos e que a instituição quer desenvolver no futuro.
70
número de funcionários do CSPR, distribuídos por oito valências e diversos serviços de suporte e logística como refeições, transportes e manutenção. Trabalham na instituição, entre outros, cinco assistentes sociais, dois psicólogos, oito educadoras e 23 auxiliares da acção educativa. A direcção do CSPR é presidida pelo pároco, Pe. Costa Leite. O trabalho executivo é assumindo pelo diácono permanente Afonso Oliveira, vice-presidente. A direcção, voluntária, não é remunerada. Colaboram com a instituição uma dezena de voluntários, sendo de destacar as famílias que acolhem (fins-de-semana, períodos festivos, etc.) as crianças e jovens do CAT.
2
empresas de inserção. As empresas prestam serviços inexistentes na comunidade envolvente como limpezas domésticas, cantina e lavandaria sociais. A finalidade é integrar no mercado de trabalho desempregados de longa duração, beneficiários de Rendimento Social de Inserção ou pessoas em exclusão e marginalidade social. Nos três serviços há onze postos de trabalho, ocupados exclusivamente por mulheres.
História do Centro Social Paroquial de Recardães
1990 – Surgem as primeiras tentativas de apoio sócio-caritativo às crianças e famílias de Barrô e Recardães, após o levantamento e intervenção do Projecto Grupos Comunitários (do Centro de Educação Integrada Bela Vista – Águeda) em bairros degradados das indústrias cerâmicas instaladas na zona sul de Águeda.
1993/94 – O Projecto Grupos Comunitários e a Paróquia de Barrô dirigem-se às famílias dos bairros cerâmicos de Vale de Mouro e Primor. Realizam-se encontros periódicos nas instalações do Centro Paroquial de Barrô, que adapta as suas instalações sanitárias de modo a servir para a realização dos cuidados de higiene das famílias.
1995 – (Março) Após a caracterização social feita por uma equipa de enfermeiros, faz-se uma reunião de várias instituições com o objectivo de encontrar soluções para as crianças sem qualquer apoio sócio-educativo extra-escolar, que ficavam sós, na rua ou fechadas em casa durante o trabalho dos pais. Constitui-se um grupo de trabalho liderados pelo pároco de Barrô e Recardães, P.e João Paulo Sarabando, e o Projecto de Luta contra a Pobreza “Águeda Solidária”.
(Maio) No Centro Paroquial de Barrô, abre um espaço para 30 crianças dos 3 aos 12 anos, oriundas de famílias em situação de exclusão de Barrô e Recardães.
(Junho) P.e João Paulo Sarabando propõe a criação do Centro Social e Paroquial de Recardães para responder às necessidades de Recardães, Barrô e Espinhel.
(Setembro) As crianças do CSPR são já 60. Um particular cede instalações para a confecção de refeições.
(Outubro) O CSPR adquire a sua primeira viatura, financiada pelo Projecto “Águeda Solidária”.
(Novembro) Início da construção das Instalações do CSPR, na Quinta do Passal, da paróquia de Recardães. O edifício é financiado pelo Projecto “Águeda Solidária” e pela comunidade local.
1996 – (Março) Candidatura a uma sala de Jardim-de-Infância. (Setembro) Candi-datura à construção de um Centro Comunitário. (Outubro) Após a conclusão do rés-do-chão, 110 crianças começam a frequentar o Centro. Celebram-se acordos para as valências de Creche, Jardim-de-Infância e ATL.
1997 – (Janeiro) Duas religiosas da Congregação das Irmãs Passionistas iniciam trabalho no CSPR com o objectivo de se instalar um centro de Acolhimento Temporário.
1998 – Sai o primeiro número do “Mensagem”, magazine mensal do CSPR.
2000 (Junho) – O CSPR é oficialmente inaugurado pelo primeiro-ministro António Guterres. É lançado o programa “Creches 2000”. De então para cá, a instituição introduz novos serviços como o Apoio Domiciliário, o restaurante de refeições económicas, uma lavandaria que funciona como empresa de inserção, Centro de Dia para Idosos, aulas de ginástica…
2005 (Setembro) – As Irmãs Doroteias abrem uma casa em Recardães e colaboram com o CSPR, após a saída das Irmãs Passionistas.
2000-2007 – São negociados alargamentos dos acordos com a Segurança Social no Apoio Domiciliário, na Creche, e no Centro de Acolhimento Temporário. A instituição candidata-se ao programa estatal PARES, afim de construir um Lar de Idosos, mas a candidatura não é aprovada.
