Movimento Mérito e Sociedade Reconhecido pelo Tribunal Constitucional como partido político desde finais de Maio, o Movimento Mérito e Sociedade (MMS) apresentou-se na passada sexta-feira em Aveiro. O MMS pretende agora “garantir que a sua mensagem chega a todos os cidadãos” e “concorrer às próximas eleições”, refere Eduardo Correia, líder do partido.
E qual é mensagem do MMS? “O modelo de governação que o MMS propõe assenta em quatro valores-base: rigor financeiro, transparência, mérito e responsabilidade. São valores que tanto encontramos na Direita como na Esquerda. A nossa ideologia é a qualidade de vida”, afirma Eduardo Correia.
O MMS constituiu-se em partido político porque, para a intervenção ser consequente, “tem de passar pela Assembleia da República”. Estar representado na AR é um objectivo essencial para este novo projecto político. No entanto, “em caso algum fará coligação com um partido do governo”, afirma Eduardo Correia, respondendo a uma questão dos jornalistas. “Votaremos a favor de todas as propostas com que concordarmos, venham de onde vierem, e votaremos contra todas aquelas com que discordarmos, venham de que partido vierem. Oposição não é dizer o contrário do que os outros dizem”, esclarece.
O MMS afirma-se aberto à sociedade, não tendo propriamente militantes. “Há grupos de trabalho em que se participa sem ser militante”, afirma Marcelo Pinho, advogado de São João da Madeira, vice-presidente da comissão política do MMS. Os grupos estudam temáticas como “modelo de governação”, “opções para a economia”, “segurança, justiça e defesa”, “trabalho, protecção e acção social”, “ambiente” e “saúde”, entre outras.
A par com o MMS surgiu recentemente o MEP (Movimento Esperança Portugal), liderado por Rui Marques, antigo Alto Comissário para os Imigrantes e Minorias Étnicas. Ambos os partidos recusam identificar-se com a Direita e a Esquerda, ambos sonham com um Portugal melhor, ambos querem atrair os cidadãos desencantados com os partidos tradicionais. “São partidos próximos? Houve contactos de aproximação?”, perguntou o Correio do Vouga a Eduardo Correia. “Convidei Rui Marques para almoçar. Conversámos com muita cordialidade. Mas só isso. Ficámos por aí”, respondeu.
Eduardo Correia nasceu em 1964, em Lisboa, e é licenciado em Gestão e doutorado em Finanças. Autor de livros de Economia e Gestão, é consultor de empresas e professor no ISCTE – Lisboa. Escreveu o manifesto do MMS, que pode ser lido em www.mudarportugal.org, entre Setembro de 2005 e Agosto de 2006. Em 2007 lançou o movimento. Em 2008 formou o partido. Em 2009 espera chegar ao Parlamento.
Afirmações do líder
O que pensa o MMS
Governação
“Há distanciamento e irresponsabilização entre eleitores e eleitos. Defendemos os círculos uninominais. Cada eleitor deve saber quem é o seu deputado. É inaceitável que o deputado não regresse ao seu círculo, três ou quatro vezes por ano, para prestar contas”.
Economia
“É inaceitável que Portugal não seja referência mundial na dessalinização da água, na aquacultura em alto mar, nas energias renováveis”.
Papel do Estado
“O Estado não deve ser agente económico. Deve intervir o menos possível na economia. Mas tem um papel observador e regulador. Tem de estimular quando os privados não avançam.
Tem responsabilidades próprias, como ordenar o território, por exemplo”.
Aborto e droga
“O partido não tem posição sobre estes assuntos, mas posso dizer as minhas. Concordo com a lei do aborto que foi aprovada. Sou contra a liberalização das drogas. Os resultados seriam dramáticos”.
Portugal
“Só temos orgulho no país quando joga a selecção. É possível criar um país de grande qualidade de vida”.
