À Luz da Palavra – XXV Domingo do Tempo Comum – A A liturgia deste domingo esclarece-nos sobre o amor incondicional de Deus para com todos os seres humanos, independentemente do momento em que eles se voltam para Ele. Convida-nos a descobrir a grandeza e a magnanimidade do nosso Deus, cujos caminhos e pensamentos estão muito acima dos nossos caminhos e pensamentos. Chama-nos a inverter os nossos projectos e a orientá-los para Deus
A primeira leitura pede aos crentes que procurem o Senhor. Procurar Deus, é um movimento que exige uma transformação radical, uma conversão, para que os nossos pensamentos e acções sejam modelados sobre o modo de pensar e de agir do próprio Deus. A conversão exige que sejamos contracorrente à cultura pós-moderna, que prescindiu de Deus e afirma que a liberdade e a felicidade se constroem à margem dele. O texto interpela-nos sobre a imagem que temos de Deus, pois a conversão implica, também, uma mudança na forma de ver Deus, o que exige uma pessoal relação com Ele. Empenho-me em aprofundar a minha fé e esclarecer a “visão” que tenho de Deus?
O evangelho diz-nos que Deus chama à salvação todos os homens e mulheres, sem considerar a sua antiguidade na fé, as qualidades ou os comportamentos anteriormente assumidos. A Deus interessa apenas a forma como se acolhe o seu convite. Pede-nos uma mudança de mentalidade, para que a nossa relação com Ele não seja marcada pelo interesse, mas pelo amor e gratuidade. A parábola mostra-nos que Deus, prefigurado no proprietário da vinha, está sempre a passar por nós, a vir ao nosso encontro, para nos oferecer, gratuitamente, a sua amizade. Mas é necessário que Ele nos encontre vigilantes para nos decidirmos a ir trabalhar para a sua vinha. Na comunidade cristã, é a decisão pessoal de ir trabalhar para a vinha do Senhor que marca a diferença, independentemente do momento da conversão de cada um. Terá alguma lógica, à luz dos ensinamentos de Jesus, pensar que tenho direito a uma maior recompensa por ser mais “antigo” na prestação de serviços a Deus e à comunidade?
A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de Paulo, que abraçou, de forma exemplar, a lógica de Deus. Renunciou aos interesses pessoais e colocou no centro da sua existência Cristo, os seus valores, o seu projecto. “Para mim, viver é Cristo”, afirma o apóstolo. Esta frase diz-nos que isto é o essencial e o único necessário para ser discípulo ou discípula do Senhor Jesus. Há muitos cristãos e cristãs, que assim se confessam, mas que não praticam o «Viver Cristo». O mesmo é dizer que não O conhecem tal como o Evangelho no-lo apresenta e, por isso, não podem ser seus imitadores, nem conhecer o Pai, pois conhecer Jesus é conhecer o Pai, pela acção do Espírito Santo. Cristo está, verdadeiramente, no centro da minha vida?
Leituras do XXV Domingo Comum: Is 55,6-9; Sl 145 (144); Fl 1,20c-24.27a; Mt 20,1-16a
Deolinda Serralheiro
