P.E JOÃO ALVES
“Só conhecemos as coisas que cativamos – disse a raposa. – Os homens, agora já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, cativa-me!
E o que é preciso fazer? – Perguntou o principezinho.
– É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas todos os dias te podes sentar mais perto… Se vieres sempre às quatro horas, às três já eu começo a ser feliz” (Saint-Exupéry, O Principezinho).
“Os homens já não têm tempo para conhecer nada”. Este advento quero ter Tempo. Viver em advento é viver na Esperança não do que há-de vir, mas no Senhor que vem, que está e que estará! É viver na Esperança que em cada tempo sou capaz de ser diferente, de viver hoje marcado pela alegria que Deus me dá de ser homem deste tempo mas à luz da Vitória de Cristo. Este advento quero ter Esperança, não no Deus que há-de vir, mas no homem que quero ser n’Ele. “Vem Senhor Jesus!”…mas quanto mais tarde melhor!
“Se vieres às quatro horas, às três já começo a ser feliz”. Este advento quero viver também a Páscoa. Preciso de rupturas, de cortes que são Passagem para viver em cada tempo o que é próprio do seu tempo. Preciso de estar 10 minutos antes da Eucaristia começar para fazer a ruptura do tempo. Preciso de estar 5 minutos antes das aulas começarem para fazer a ruptura do tempo. Quero estar 5 minutos antes da hora do encontro marcado para fazer a ruptura do tempo. Quero estar 25 dias antes no Natal para fazer a ruptura do tempo. Quero estar na sala de espera e pensar em que Espera(nça) vivo eu! A ruptura deve ser o tempo de Espera que se enche de Esperança e que faz que o que vem a seguir seja tempo de Encontro, de Liberdade e Salvação.
“Mas todos os dias te podes sentar mais perto”. Este advento quero estar mais perto… daqueles que vivem sem Esperança. Da senhora a quem dou esmola à porta da Igreja mas de quem nem o nome sei; daquele amigo de quem já nem o número de telemóvel tenho mas que me manda uma mensagem a partilhar o nascimento de um filho; daquele amigo que não me quer ouvir a contar novidades da minha vida, mas que quer que o ouça a partilhar as suas conquistas; daquele que procura no Perdão de Deus a Esperança para a sua humanidade-nova.
“Se queres um amigo, cativa-me!
E o que é preciso fazer? – Perguntou o principezinho.
– É preciso ter muita paciência.”
Este advento quero ter a paciência de quem vive os tempos-de-ruptura e novidade na Esperança no Deus que se encarna na minha e nossa humanidade!
