Uma pedrada por semana Os nossos humoristas, no seu conjunto e cada um deles de modo habitual, perderam, a meu ver, a capacidade de divertir, o sentido de humor com que procuram ganhar a vida. Sejam eles os habituais encartados, os do “Inimigo Público”, os que têm lugar cativo nas televisões e nas rádios, os cartonistas diversos, os contadores de anedotas e ainda outros que por aí pululam a querer viver à custa de gracinhas que já só divertem os tolos.
Alguns até não andaram mal noutros tempos, mas feneceu-lhe a veia e agora nem eles próprios acham piada ao que dizem. Um país que parece entristecer-se cada vez mais e onde se torna difícil mudar de profissão quando se deixou de fazer rir.
Então, o recurso mais vulgar é a piada suja, como se só fosse humor válido o que cheira mal. Mas, também, o picar e o abocanhar na religião, sem o respeito que é legítimo esperar de uma pessoa educada e com dignidade no que faz. Imaginem o fedor dos gatos que para ridicularizarem o “Magalhães” tiveram de encenar numa igreja e usar alarvamente textos litúrgicos deformados a que eles respondiam como devotos!.. Que nojo!… Até um bom humorista se gasta depressa, quanto mais os que já chegam gastos e interiormente tortos e distorcidos para o primeiro consumo. Estes, como outros, se fossem profissionais sérios teriam pena de quem ainda lhes bate palmas.
Que saudades do Raul Solnado! Esse sim, um humorista digno do nome, porque ele mesmo soube ser digno no seu dia-a-dia de profissional.
António Marcelino
