Editorial 1 – Os jubileus são sempre a ocasião oportuna para um conjunto de atitudes importantes. A memória serve para fazer a festa, para agradecer, para rever e corrigir, para confirmar e revitalizar.
Assim acontece: no jubileu matrimonial, no jubileu do ministério ordenado, no jubileu de uma instituição… Mesmo aqueles que os não celebram solenemente, sentem que tais datas são marcantes, ainda que, algumas vezes, por dores profundas de compromissos traídos, de objectivos não alcançados. Quantas vezes são até o motivo para um verdadeiro recomeço!
2 – Ocorrem diariamente efemérides destas, tocando pessoas e grupos. Uma delas, por estes dias, celebra os setenta e cinco anos da Acção Católica em Portugal. Não pode, por isso, deixar de interrogar uma imensidão de gente, activa na Igreja e com um contributo notável à vida social, económica e política do país, como também não pode deixar de questionar as estruturas de responsabilidade pastoral.
É certo que houve desvios, radicalismos, afirmações doentias de exclusividade apostólica, quebra de comunhão eclesial…, males comuns a tudo o que, embora suscitado e sustentado pelo divino, se realiza neste invólucro humano.
Mas uma esteira de zelo apostólico e santidade tem marcado gerações, de todos os estratos sociais, de todas as idades, de todas as raças e cores, numa diversidade enriquecedora, que mudou, em muitas circunstâncias, a vida das Comunidades onde se implantou.
3 – Estão de pé, ainda que organizadas em formas novas, sobretudo transformadas de movimentos de massas em fermento de pequenos grupos, algumas das vertentes dessa Acção Católica, idosa de bodas de diamante. E recomendam-se! Pela própria palavra dos últimos Papas, a AC não está esgotada, nem ultrapassada!
Em 11 de Outubro passado, em Roma, foi apresentada a “Fundação Acção Católica Escola de Santidade – Pio XI”, constituída em 2007. O seu objectivo é “dar a conhecer santos, beatos, veneráveis, testemunhas que motivam a viver hoje uma «AC escola de santidade», sobretudo para os fiéis leigos, mas sem esquecer «que a AC continuou a ser fonte de múltiplas vocações sacerdotais e religiosas»”.
O que têm em comum um jesuíta chileno, uma médica e mãe italiana, um jovem empregado mexicano, um empresário espanhol, uma menina romana de 6 anos?… Todos fazem parte dessa plêiade de homens e mulheres, de jovens e crianças, que moldaram a sua vida, que temperaram o seu fulgor apostólico, na Acção Católica.
Se eles, por que não nós? Se ontem, por que não hoje? Se esses foram alguns dos muitos frutos, por que fecharmos a vida das Comunidades em modelos estereotipados, ditos conciliares, que tolhem a vida e a iniciativa a leigos capazes e comprometidos, heróicos e com as mãos na massa, diferentes mas doados a uma comunhão eclesial sem reservas?… É tempo de aprendermos a lição!
