A verdade

Reflexão Bastou um pequeno desalinho com as ideias ditas evoluídas, politicamente correctas, e lá está o mundo virado do avesso, o papa etiquetado dos mais variados epítetos e a Igreja acossada por um coro de adjectivos que vão desde governantes ditos de países evoluídos, aos bem pensantes deste mundo e se espraiam em grupos pregoeiros de uma liberdade feita à sua medida.

Tudo começou pela resposta do papa a uma pergunta sobre a sida, em que o papa dizia que esta doença não se combate com o preservativo. Foi o rastilho de todo um mundo que não saberia mais que fazer a tantos preservativos que as multinacionais despacham e a alguns grupos ditos de prevenção que mais não fazem que ensinar as qualidades desse objecto e explicar a forma de o usar como se de um rebuçado se tratasse nas mãos de uma criança. Cala-se no momento, mas os problemas continuam, e a doença vai-se alastrando.

Porque, de verdade, todos sabemos que a sida não se combate com o preservativo mas com mais desenvolvimento e isso implica diminuir o fosso entre ricos e pobres; necessita de mais cuidados sanitários e remédios mais ao alcance de todos; necessita de mais formação e mais auto-estima para se saber estimar e admirar o corpo e gostar dele e não apenas para o usar ao sabor do momento; precisa de uma séria educação da sexualidade que não se limita a informar, mas a admirar a beleza de um corpo criado à imagem de um Deus que, em cada momento, me faz uma proposta de felicidade e me incentiva na escolha de um caminho novo – que nem sempre é o mais fácil – mas é aquele que semeia em mim a esperança e me faz sonhar com manhãs de ressurreição.

Foi essa verdade que o papa quis dizer a um continente tão explorado e tão sofrido como é a África, mas que o mundo não quis ouvir. Aliás, esta indiferença do mundo já vem do tempo de Jesus quando comentava com Nicodemos: “A luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas que a luz… Mas quem pratica a verdade aproxima-se da luz para que se torne bem claro que as suas obras estão feitas em Deus”.

Os gritos de ontem são os de sempre a incentivar a multidão na escolha do caminho… e Cristo seguiu a verdade, apesar de incómoda, até ao fim.

Manuel J. Rocha