Quaresma “A esperança é a força do futuro que transforma o presente segundo o projecto de Deus”. Com este tema de fundo, o P.e Georgino Rocha orientou a terceira catequese quaresmal, na noite de 23 de Fevereiro. D. António Francisco não pôde estar presente devido a um agravamento da saúde da sua mãe.
É movido pela esperança que o construtor constrói a sua casa, escolhendo a terra, mobilizando recursos, calculando o tempo – explicou P.e Georgino Rocha, servindo-se do exemplo do Evangelho… É pela esperança que o investigador pesquisa até conseguir o resultado. É a esperança que conduz o cristão até à Páscoa. “Se queremos chegar à Páscoa e celebrar em nós os sentimentos que Jesus tinha, temos que lançar mão de recursos, fazer esforço, largar algumas coisas, apanhar outras…”, afirmou. Os cristãos poderão assim alcançar a meta proposta por São Paulo: “Tende entre vós os mesmos sentimentos, que estão em Cristo Jesus. Ele, que era de condição divina… esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo” (Fl 2,5). “«Servo» – apontou – é diferente de «escravo». O servo serve livremente; o escravo serve obrigatoriamente”.
Alcançar “o projecto de Deus”, que tem outros nomes, como “Reino de Deus” ou “vontade de Deus” e que é o mesmo que “deixar que aconteça em nós a salvação que Ele oferece em Jesus”, não passa por “atitudes abstractas”, mas por valores em que se distinguem o “amor de doação” e “amor de captação”. Este é “egoísta, interesseiro, sobrepõe os seus interesses ao bem comum”, enquanto o primeiro é “doação e gratidão”.
P.e Georgino Rocha destacou a “esperança solidária”, afirmando que “é urgente repor a dimensão social e comunitária da esperança cristã”. Lembrou também a “esperança ecológica”, que implica uma “ética de compromisso” e de responsabilidade. “Ninguém pode lavar as mãos e dizer: «Não tenho nada a ver com isto»”. Com uma linguagem sugestiva, realçou a permanência da esperança: “Não se é cristão em «part time» nem se vive a esperança em intermitência de pirilampo”.
J.P.F.
