Dez palavras-chave na espiritualidade Não pode ser um jogo. Tem de ser veículo da comunhão.
No Antigo Testamento os sacrifícios de animais aparecem muitas vezes ligados à atitude de acção de graças e também de petição a Deus. Jesus assume-se como a vítima que é entregue no sacrifício pascal e confia à Igreja a Eucaristia como sinal de um novo sacrifício plenamente realizado na sua entrega ao Pai. Este é o verdadeiro sacrifício que é para o cristão sinal de salvação e da qual participa sempre que celebra a Eucaristia. Fazer sacrifício é “tornar sagrado” um gesto, uma atitude, um momento. Neste sentido, o cristão é aquele que em Jesus Cristo já participa da esfera do sagrado, já participa em Jesus Cristo da divindade. Os sacrifícios que hoje se fazem não acrescentam nada aquilo que Jesus já nos deu: a sua salvação. Faz sentido então fazer sacrifício? Faz sentido se não for um jogo com Deus de troca de favores e faz sentido se não tiver a carga negativa que habitualmente se dá ligado ao sofrimento humano. Fazer um sacrifício não é fazer algo que custe, mas é fazer algo que liberte e que faça sentir em profunda comunhão com Deus. Hoje torna-se necessária uma nova compreensão de tantas formas penitenciais na Igreja que por vezes têm este carácter de sacrifício e privação, mas que podem não aproximar de Cristo que ama, que liberta e que exige do cristão um rosto de quem vive a salvação.
João Alves
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