“Europa e a Missão Ad Gentes” “Dentro da Europa, Portugal tem obrigação moral e histórica de ser uma porta aberta para os imigrantes, procurando integrá-los com dignidade no nosso tecido social.” Esta foi uma interpelação saída das Jornadas Missionárias Nacionais que se realizaram em Fátima, de 19 a 21 de Setembro, à volta do tema “Europa e a Missão Ad Gentes”, com a participação de 600 católicos.
A mensagem final reconhece que a crise de valores e de referências na Europa são um desafio à cidadania activa dos cristãos e à sua intervenção profética nos ambientes onde esses valores sejam ignorados ou negados, nomeadamente na televisão e noutros meios de comunicação social, enquanto denuncia um défice democrático, de participação e de profetismo cristão.
“Um dos mais urgentes imperativos que se impõem à sociedade civil e, em particular, aos cristãos, é a mudança das estruturas de poder para as tornar mais justas e mais humanas”, sublinha-se no documento final tornado público, ao mesmo tempo que se reconhece que a nova realidade da cultura urbana exige, por parte da Igreja, “novas formas de resposta ao modo como a missão se deve situar no território”.
Por outro lado, foi frisado que a geminação de paróquias e dioceses revela “um caminho para a animação missionária” e que o alargamento da Europa nos desafia “a uma grande abertura às outras confissões cristãs e a outros credos religiosos”. Mas também se diz que a transmissão da fé na nova cultura “passa necessariamente pelo anúncio de Jesus Cristo, por meio de um testemunho de vida pessoal e comunitário”.
Nas conclusões, reconhece-se que o nosso tempo é marcado por sinais de esperança, mas também por um clima de incertezas e por uma “preocupante crise de valores”.
Dos motivos de esperança, são destacados uma maior sensibilidade aos direitos humanos, a luta contra a corrupção, o aumento do voluntariado e o respeito pela natureza.
Como motivos de preocupação, adiantam-se o desrespeito pela ordem internacional, a pedofilia, a corrupção de alguns políticos, a instabilidade familiar, a falta de respeito pela vida, o fosso entre ricos e pobres e uma economia cada vez menos ao serviço dos necessitados, entre outros.
Entretanto, refere-se que o encontro de culturas e o diálogo entre religiões são hoje “um espaço importante da missão, que é imprescindível aprofundar e desenvolver”, e que o alargamento da Europa apresenta um enriquecimento cultural e religioso, “com uma grande disparidade económica e social” que não deixará de levantar grandes desafios.
